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Passos puxa dos galões: “Desbloqueei o último problema”

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RAFAEL MARCHANTE / Reuters

Depois de 17 horas de negociações, foi aprovado por unanimidade um acordo entre a Grécia e os credores. Passos assegura que o Governo português teve uma atitude “construtiva” nas negociações com a Grécia, tendo ajudado a resolver a questão do fundo de privatizações

Passos Coelho recusou esta manhã a ideia de que o acordo de princípio alcançado com a Grécia constitua uma "humilhação" para o país" e garantiu que foi uma sugestão sua que ajudou a desbloquear o último problema na mesa das negociações.

"Não creio que [o acordo] possa ser considerado humilhação, mas uma atitude responsável e solidária. (...) Os credores deverão realizar fortes esforços financeiros e políticos em nome da integridade e da solidariedade da zona euro", declarou o primeiro-ministro numa conferência de imprensa em Bruxelas.

Para Passos Coelho é fundamental que seja restaurada a confiança relativamente à Grécia, frisando que o acordo alcançado esta manhã, após uma maratona negocial prevê a contribuição de países com um PIB inferior ao grego. "É um acordo importante para ambas as partes. (...) Este terceiro programa permitirá alcançar o objetivo principal que era o de manter  a integridade da zona euro, mas deverá também oferecer uma verdadeira solução de longo prazo", afirmou Passos Coelho, sustentando que a deterioração da situação da Grécia obrigou a uma solução mais exigente do ponto de vista orçamental e estrutural.

Questionado sobre a posição do governo português nas negociações, o primeiro-ministro assegurou que o seu Executivo contribuiu para a resolução do impasse grego. "Portugal manteve sempre uma postura muito construtiva e devo dizer até que a solução que acabou por desbloquear o último problema que estava em aberto - que era justamente a solução quanto à utilização do fundo [de privatizações] partiu de uma ideia que eu próprio sugeri. O que significa que até tivemos uma intervenção que ajudou a desbloquear o problema", afirmou Passos Coelho.

Explicou ainda que a sua sugestão partiu da ideia de que do valor de 50 mil milhões de euros do fundo de privatizações, metade, ou seja "25 mil milhões pudessem ser utilizados para poder privatizar os bancos que estão agora a ser recapitalizados. A formulação adotada foi reembolsar os empréstimos (...) e que acima desse valor se pudesse então fazer uma utilização quer para abater à divida publica, quer para se poder financiar o crescimento em partes iguais". 

O governante defendeu que os próximos dias serão decisivos, esperando que o compromisso alcançado esta manhã seja cumprido. "Claro que há ainda muito trabalho para fazer, tanto ao nível político, como ao nível técnico, mas julgo poder dizer que este acordo de princípio dá a oportunidade a que o Governo grego comece a executar imediatamente um conjunto significativo de ações prévias ao mesmo tempo que os restantes estados-membros irão desencadear os procedimentos internos necessários  para se iniciar as negociações do novo programa."

Passos Coelho deixou ainda um alerta: diz que é preciso que o governo grego tenha a noção real dos "perigos que estão à espreita" para que o terceiro programa possa avançar em tempo útil.