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“Com este acordo, mantemos o passaporte europeu e os bancos abrem portas. Não vejo mais nenhuma vantagem”

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ALEXANDROS AVRAMIDIS / REUTERS

Numa caixa automática junto ao Banco da Grécia em Tessalónica, Spiros Mousionis levanta 50 euros. O limite diário. Às perguntas de um repórter da Reuters, manifesta-se satisfeito com o acordo alcançado. Sorri.

“Já nos sentimos muito melhor”, afirma o antigo negociante de algodão de 66 anos, na esperança de que, em breve, já seja possível levantar mais do que 50 euros por dia. “Não consigo imaginar a Grécia fora da União Europeia e do euro.”

Confrontado com o previsível agravamento das medidas de austeridade, Spiros Mousionis admite que serão duras mas inevitáveis. “Talvez seja melhor para todos nós mais disciplina e ordem.”

Não muito longe daquele local, junto a uma fábrica de roupa para crianças, o empresário Konstantinos Chantizaridis antecipa tempos ainda mais difíceis para a sua empresa caso o parlamento aprove as condições exigidas pelos credores para o terceiro plano de resgate. Ainda terá de pagar mais impostos.

“Já pagamos antecipadamente 55% de impostos e agora ainda teremos de pagar mais 28% sobre receita que ainda não tivemos”, alerta. “Temos de pagar para apoiar a economia.” Apesar da austeridade dos últimos cinco anos, defende que continuará a ser o único caminho possível: “Com este acordo, manteremos o nosso passaporte europeu e os bancos abrirão as portas. Não vejo mais nenhuma vantagem”, disse Konstantinos Chantizaridis.

Para o ainda secretário-geral da Câmara de Comércio de Tessalónica, “se voltássemos para o dracma, seria muito diferente da moeda que tínhamos em 2000. O país nada produz e está muito dependente do turismo. Deixar o euro teria consequência muito duras”.

Na capital, Atenas, o repórter da Reuters foi ao encontro de Marianna, 73 anos. “É uma vitória com sabor a derrota”, afirma, consciente das previsíveis consequências do acordo alcançado em Bruxelas.

“As pessoas já sofreram muito durante os últimos cinco anos e ainda vem por aí mais sofrimento. Queremos ficar na Europa e conseguimos, mas a que preço?”, questiona.

Milhares de gregos elegeram como “os maus desta história” a chanceler alemã Angela Merkel e o seu ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble.

Nos jornais desta segunda-feira de manhã, ainda que vencidos pela voragem dos acontecimentos, era público e notório esse ódio de estimação, sobretudo nos títulos com referências à Segunda Guerra Mundial e à alegada tentativa de Berlim para humilhar a Grécia pela resistência dos gregos a novas medidas de austeridade.