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Internacional

Acordo sobre nuclear iraniano na fase do ponto e vírgula

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Bem disposto, Mohammad Javad Zarif, ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, troca umas palavras com os jornalistas concentrados em frente ao hotel Palais Coburg, em Viena

CARLOS BARRIA/REUTERS

A versão em farsi tem 100 páginas. A inglesa será um pouco mais curta. Em Viena, as delegações que participam no diálogo sobre o programa nuclear iraniano passam a pente fico o rascunho de um possível acordo final. O último prazo acordado para a obtenção de um acordo final termina esta segunda-feira

Margarida Mota

Jornalista

O Irão e seis potências internacionais estão cada vez mais próximos de alcançar um acordo histórico sobre o programa nuclear iraniano. "Ninguém está a pensar numa nova extensão do prazo. Todos estão a trabalhar arduamente para conseguir o sim durante o dia de hoje, mas ainda é necessária vontade política", escreveu no Twitter, ao final da manhã desta segunda-feira, Alireza Miryousefi, membro da delegação iraniana.

As conversações arrastam-se, ininterruptamente, há 17 dias, no Hotel Palais Coburg, em Viena, e o prazo para a obtenção de um acordo final já foi prorrogado por três vezes - o último expira esta segunda-feira.

Em cima da mesa está um acordo que, da perspetiva ocidental, irá limitar a capacidade do Irão produzir a bomba atómica e também, conforme exige Teerão, consagra o fim das sanções internacionais ao país dos ayatollahs.

Segundo o diário britânico "The Guardian", diplomatas europeus presentes nas conversações confirmaram, no domingo, que os maiores obstáculos já foram ultrapassados. A delegação norte-americana, porém, revela mais cautelas insistindo que "grandes questões" continuam em aberto.

Igualmente no twitter, Alireza Miryousefi escreveu que a delegação persa está a analisar "um documento de 100 páginas". Segundo "The Guardian", a versão em língua inglesa tem "mais de 80 páginas, incluindo cinco anexos". As delegações estarão a passar o texto a pente fino, certificando-se que nenhuma vírgula mal colocada dará azo a interpretações contraditórias.

Ministro à varanda, jornalistas na rua
Exibindo boa disposição, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Mohammad Javad Zarif, tem surgido à varanda do hotel com frequência. Numa das vezes acenou com folhas de papel, presume-se que do texto em estudo, para os muitos jornalistas que já se encontram, em permanência, em frente ao hotel à espera de noticiar o histórico acordo.  

Participam nestas negociações, para além do Irão, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Reino unido, França, Rússia e China), todos países com capacidade nuclear, e ainda a Alemanha - o chamado P5+1. A União Europeia está presente através da sua Alta Representante para a Política Externa e de Segurança, a italiana Federica Mogherini.

Europeus e chineses parecem ser os mais apressados quanto ao anúncio de um documento final. "Acreditamos que nenhum acordo será perfeito e que já há condições para que seja alcançado um bom acordo", disse o ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi. "Não pode, nem deve, haver mais atrasos."