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Eurogrupo sem acordo. Finlândia coloca maior entrave a novo resgate

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O ministro das Finanças grego, Euclid Tsakalotos, no fim do primeiro dia de Eurogrupo, que terminou sem um acordo sobre a dívida grega

OLIVIER HOSLET / EPA

Nove horas de reunião não chegaram para se conseguir um acordo. Num encontro onde circulou um papel misterioso com uma saída "temporária" da Grécia da zona euro, os ministros pediram mais reformas aos gregos e a Finlândia assumiu-se como principal opositora de um novo resgate. Domingo há mais

Os ministros das Finanças da zona euro não se entenderam sobre o terceiro resgate à Grécia, deixando tudo em aberto para a manhã e final da tarde deste domingo, quando ocorrerá a cimeira de líderes europeus 

Nove horas de reunião em Bruxelas não foram suficientes para ultrapassar as divergências fundamentais e a falta de confiança no Governo grego, disso mesmo deu conta o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem: "Discutimos as propostas gregas, tal como o tema da credibilidade e da confiança. E, claro, os problemas financeiros", disse o presidente do Eurogrupo. "Como é óbvio, não conseguimos chegar a uma conclusão, por isso continuaremos amanhã. Está muito difícil", lamentou. 

Um grande número de países europeus, em que incluem França e Itália, apoiam o alívio da dívida grega, mas muitos outros países, sobretudo do leste europeu, estão com a Alemanha e exigem que Atenas vá ainda mais longe nas suas propostas. 

Um documento misterioso que defende um cenário de uma saída temporária da Grécia da zona euro, alegadamente da autoria da delegação alemã, destabilizou a reunião do Eurogrupo. A edição "online" do jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung noticiou que foi posto a circular um documento do ministério das Finanças alemão que propõe dois caminhos para ultrapassar a atual situação, sendo um deles uma saída ordenada e temporária da Grécia da zona euro, por cinco anos, acompanhada de ajuda humanitária, e o outro a venda de património do Estado num valor de cerca de 50 mil milhões de euros.  

Fontes europeias confirmaram à Lusa a existência de tal documento, mas apontaram que o mesmo, redigido em inglês, "surgiu" entre os vários documentos que estão a circular, mas não está sequer identificado, não tendo sido assumido por ninguém, nem tão pouco discutido.  

Mas o maior obstáculo surgiu mesmo de um país nórdico. A coligação conservadora no poder na Finlândia opõe-se a qualquer ajuda à Grécia. As televisões finlandesas chegaram mesmo a avançar que o Governo finlandês está totalmente a favor da 'Grexit'. Em causa estará a posição do partido eurocético "Verdadeiros Finlandeses", que terá ameaçado abandonar a coligação governativa em caso de um terceiro resgate grego.