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"Está muito difícil", diz Dijsselbloem. O Eurogrupo de sábado ao minuto

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Chirstine Lagarde, diretora do FMI e Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo, estão reunidos este sábado em Bruxelas

ERIC VIDAL / REUTERS

Os ministros das Finanças discutiram o pedido de um terceiro resgate para a Grécia, mas não chegaram a nenhuma conclusão (com forte oposição da Finlândia) e voltam a reunir-se este domingo. Acompanhámos em detalhe os avanços e recuos de mais um dia

23h35 Euclid Tsakalotos, o novo ministro das finanças grego, abandonou a reunião sem fazer comentários aos jornalistas. E é assim que acaba o nosso minuto a minuto. Obrigada por ter estado connosco. Voltamos a encontrar-nos amanhã.

23h20 À saída da reunião, Jeroen Dijsselbloem falou aos jornalistas, mas não adiantou muito. "Discutimos as propostas gregas, tal como o tema da credibilidade e da confiança. E, claro, os problemas financeiros", disse o presidente do Eurogrupo. "Como é óbvio, não conseguimos chegar a uma conclusão, por isso continuaremos amanhã. Está muito difícil, mas o trabalho continuará amanhã, é o que posso dizer", acrescentou antes de se ir embora.

23h15 Balanço final: acabou a reunião e não haverá nenhuma declaração. O Eurogrupo volta a reunir-se amanhã, às 11 horas locais (10h em Portugal continental).

23h01 Nove horas depois, acabou a reunião do Eurogrupo, diz o ministro das Finanças finlandês no Twitter. 

22h15 São 23h15 em Bruxelas, ou seja, já lá vão mais de oito horas desde que a reunião do Eurogrupo começou. E parece estar tudo na mesma...

21h54 Ao contrário do que era esperado há pouco, afinal a reunião não deverá terminar em breve. A redação da declaração final está a demorar mais do que o previsto, por desacordo sobre o seu conteúdo, explica Susana Frexes, em Bruxelas.

21h45 Para desanuviar o ambiente entre a Finlândia - que está armada em Alemanha -, e a Grécia, eis uma graça de um grego sobre a Finlândia noutro "Eurogrupo": a Eurovisão.

Mais a sério, o jornalista finlandês Jarno Hartikainen confirma aquilo que já se adivinhava: a Finlândia não aceita um novo acordo para a Grécia.

20h51 A correspondente do Expresso em Bruxelas, Susana Frexes, continua a acompanhar a reunião no local:

Os ministros das Finanças do euro estarão nesta altura a preparar a declaração final. Segundo fonte europeia, o Eurogrupo deverá pedir à Grécia mais cortes orçamentais e reformas, bem como garantias de que vai implementar um eventual terceiro programa de assistência. Ainda não é claro se a questão da necessidade de reestruturar a dívida - mexer nos prazos e nas taxas de juro - será mencionada. Outra fonte dá conta que a reunião do Eurogrupo pode acabar em breve.

20h40 As televisões finlandesas adiantam que o governo daquele país está totalmente a favor da 'Grexit', o que também não é propriamente uma novidade, como pode conferir neste texto.

20h38 Enquanto o Eurogrupo vai-não vai, há quem pense na Grécia mesmo enquanto está no festival de música NOS Alive, em Lisboa. A imagem da bandeira grega foi mostrada durante o concerto da banda portuguesa Dead Combo.

19h45 Aqui está um bom resumo do que aconteceu hoje (até agora...), cortesia do jornalista Paul Mason, do Channel 4:

19h12 Interessante também pode ser a análise ao perfil de Alexis Tsipras - para alguns um negociador brilhante, para outros um homem à deriva - feita ontem pelo "Financial Times". Aqui fica um pequeno excerto: "'É muito importante parar quando se tem a sensação que se ganhou', disse ele, sentado na sede do seu partido de esquerda radical, o Syriza. 'Se não se tiver a sensação de ter ganho - se se tiver uma sensação de derrota - é muito difícil voltar a lutar.'" Aceitam-se apostas para qual destas sensações terá Tsipras no final desta noite.

19h O jornalista do "Wall Street Journal" Pedro da Costa e o seu habitual humor no Twitter - perito em transmitir estados de alma relativamente à crise europeia:

18h55 Segundo a Reuters, há quem tenha palavras duras para os deputados do Syriza que não aprovaram este pacote de medidas que está hoje a ser discutido no Eurogrupo. A agência diz que o ministro da Economia Giorgos Stathakis é da opinião que os que discordam da política do Governo devem colocar os seus lugares à disposição.

18h27 À luz das últimas notícias, o antigo ministro Yanis Varoufakis recomenda que se leia o artigo que publicou ontem no jornal "Guardian". Pode lê-lo aqui, mas deixamos-lhe um cheirinho da conclusão principal: "A minha convicção é de que o ministro das Finanças alemão quer que a Grécia seja empurrada para fora da moeda única." 

18h13 Segundo o correspondente em Bruxelas da AFP, Danny Kemp, a 'Grexit' temporária seria aparentemente uma ideia escrita num papel pessoal de Schauble, mas que não foi apresentada oficialmente na reunião. Os ministros entretanto fizeram uma pausa para jantar.

18h08 E à medida que temos a primeira pausa na reunião, começam a sair as primeiras informações - que, no entanto, são apenas fugas de informação e carecem de confirmação. A agência Reuters escreve que "duas fontes disseram que houve consenso entre os outros 18 ministros à volta da mesa que o Governo de esquerda de Atenas tem de levar a cabo mais passos para os convencer de que irá honrar quaisquer novas dívidas." Ou seja, não temos acordo à vista, para já. Mas a negociação continua.

17h58 Mais um desmentido do Governo grego sobre como a proposta de uma 'Grexit' de cinco anos não foi apresentada, até à data, na reunião. Teremos de continuar a esperar para saber o que está afinal em cima da mesa.

17h54 Contudo, os tratados europeus não prevêm qualquer tipo de saída do euro, nem sequer temporária, como se sabe. O jornalista da Sky News Ed Conway oferece uma tentativa de análise a esta proposta de Schauble, que - alertamos - não foi confirmada oficialmente: "Coisas deste género caem muito bem no seu país e no seu círculo eleitoral", escreve. "Não esqueçamos a política."

17h50 Uma 'Grexit' de cinco anos? Bom, segundo a edição de sábado do jornal "Frankfurter Allgemeine", Wolgang Schauble propôs duas opções nesta reunião para resolver o problema grego: na primeira, a Grécia compromete-se com mais reformas e tenta conseguir arrecadar 50 mil milhões de euros vendendo propriedade do Estado para pagar a sua dívida; a alternativa seria uma saída temporária da zona euro de pelo menos cinco anos, em que o país receberia ajuda humanitária. O artigo, que pode ser consultado aqui por quem entende alemão, foi desmentido por responsáveis gregos à Euronews. Teremos de esperar para saber quem está a dizer a verdade. Mas, no entretanto, já se criou a hastag #schaublexit no Twitter.

17h05 Vão sendo publicadas fotos do início da reunião do Eurogrupo. Esta, onde o presidente do organismo Jeroen Dijsselbloem parece levantar os dois polegares em sinal de aprovação, a jornalista do diário grego "Proto Thema" Danai Dasopoulou legenda: "A sério, Jeroen? Tens a certeza?".

16h45 Mas como um país não vive só de sol, a nossa enviada a Atenas, Joana Pereira Bastos, deu-nos conta de situações extremamente delicadas na capital grega. Uma delas relatou-a esta semana ao Expresso Diário, quando visitou o maior hospital de Atenas, onde cada médico faz agora o trabalho de três.

16h38 A situação na Grécia é crítica, mas nas redes sociais segue uma campanha para tentar salvar a época turística. "O sol grego não está em crise", escreve-se no Instagram.

Instagram

16h30 Ao longo da semana, foi noticiado que as propostas gregas apresentadas hoje - onde se inclui aumento de impostos como o IVA e o IRC e cortes no complemento solidário para as pensões - foram elaboradas com a ajuda de técnicos franceses. A ligação a Paris é aqui explicada neste artigo de "Le Monde", onde se pode ler que "os altos-funcionários da direção do Tesouro e da delegação francesa em Bruxelas foram colocados discretamente próximos das negociações gregas, sob alta vigilância do Eliseu."

16h08 Não somos moscas para saber o que se passa dentro da reunião do Eurogrupo, mas esta imagem, criada pelo Royal Bank of Scotland e que tem circulado nos últimos dias, pode ajudar. Nela podemos ver as posições dos vários Governos e instituições relativamente a uma saída da Grécia da zona euro: Desfavoráveis (Itália, França, Chipre Comissão Europeia, Parlamento Europeu - que não está representado nesta reunião); A tentar evitar uma saída (Luxemburgo, Espanha, Irlanda, Portugal, Malta, Eurogrupo); Preparados para uma saída (Eslovénia, Estónia, Alemanha, Eslováquia, Finlândia, Lituânia, Letónia, Bélgica, Áustria, Holanda). Pode não ser exatamente assim, mas a imagem dá para perceber que nem tudo são rosas para o Executivo grego nesta negociação.

15h47 Para compreender melhor o que está em causa em todo o problema grego, o João Silvestre reuniu esta semana, para o Expresso Diário, um conjunto de gráficos que resumem o que se passa na Grécia, país onde a dívida já equivale a 180% do PIB e o desemprego jovem ultrapassa os 50%. Ora veja.

15h40 E falando em Varoufakis, pode sempre ver (ou rever) este vídeo do ex-ministro, há mais de 20 anos. Já na altura o professor universitário defendia que a austeridade não estava a trazer bons resultados. 

15h33 Yanis Varoufakis já não é o ministro das Finanças grego, mas continua a estar no centro das atenções. Aparentemente, na folha onde se pode ver a distribuição de lugares dos vários ministros, a alteração do titular da pasta das Finanças grega ainda não tinha sido feita e o nome de Euclid Tsakalotos teve de ser acrescentado à mão.

15h30 Por cá, o primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, pronunciou-se hoje sobre as negociações com a Grécia. Passos optou por falar sobre a sustentabilidade da dívida grega, optando por deixar de parte um corte nominal na dívida, como já sugeriu a chanceler alemã Angela Merkel: “Não creio que seja fácil a algum primeiro-ministro na Europa dizer ao seu país que se vai perdoar muitos milhares de milhões de euros que fazem falta a essas economia e a esses países”, afirmou, defendendo que o que se irá tentar fazer será “encontrar uma forma de facilitar o pagamento dessa dívida”. Como? Através do alargamento dos "prazos de pagamento da dívida", por exemplo. Mas Passos Coelho também deixou claro que "o tempo está a escassear."

Mais otimista foi o secretário-geral do Partido Socialista, António Costa:  “Há hoje uma visão mais aprofundada na Europa sobre o que é preciso fazer depois destes programas de ajustamento, do insucesso que em todos os países estas doses maciças de austeridade tiveram”, disse. Para Costa, a Europa “tem vindo a aprender e é preciso ter muita confiança que entre hoje e amanhã seja possível” um acordo. 

14h55 Entretanto, e porque o humor - como a crise grega - não tira férias, deixamos-lhe alguns dos cartoons que andam a circular no dia de hoje. No primeiro, pelo que nos é dado a perceber, um Tsipras magoado diz qualquer coisa como "Foi uma negociação justa." No segundo, do "Irish Times", os restantes líderes europeus dizem à Grécia que rapidamente apanhará o jeito desta dança, que é "para a direita, mais para a direita, depois para a direita...". E o terceiro, que se refere às propostas gregas e ao volume de austeridade... Bem, quase não precisa de legenda.

14h45 E a reunião arrancou finalmente, como confirmou o habitual frequentador do Twitter, o ministro finlandês Alexander Stubb - que, no entanto, não prestou declarações à entrada. Resta-nos esperar, por enquanto.

14h30 Falando em Alemanha, é tempo de ouvir o ministro das Finanças germânico, Wolfgang Schauble. E as suas declarações são um verdadeiro balde de água fria para os que esperavam um acordo rápido este sábado: "Vamos ter negociações excecionalmente difíceis", diz o ministro, dizendo que não está pronto para "aceitar cálculos que não são credíveis". Schauble também não evitou o tema da dívida, dizendo que "o alívio da dívida não é possível de acordo com os tratados europeus". E rematou com uma crítica ao Governo liderado pelo Syriza: "Uma situação esperançosa foi destruída nos últimos meses de uma forma incrível.

14h20 Enquanto espera pelo início da reunião, pode ir lendo este artigo da BBC sobre a posição importantíssima que a chanceler alemã Angela Merkel terá de tomar. "Como escrevem os media alemães - Angela Merkel está 'unter Druck', ou seja, sob pressão."

14h12 Outros estão menos otimistas. Peter Kazimir, da Eslováquia diz ver "um enorme problemacom a questão da sustentabilidade da dívida. E Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo deixa uma questão: "Há um grande problema de confiança - podemos confiar no Governo grego para fazer o que estão a prometer ao longo dos dias, das semanas, dos anos?"

14h "Temos o direito de falar sobre a questão da dívida", explica Michel Sapin, para quem a renegociação da dívida "não é tabu". No entanto, o ministro das Finanças francês já colocou de lado a hipótese de um haircut, como tinha dito também a chanceler alemã Angela Merkel. Contudo, há outras hipóteses, como explicou o Expresso Diário esta semana: alargar maturidades ou baixar ainda mais as taxas de juro.

13h50 Pier Carlo Padoan, ministro das Finanças italiano, opta por um tom diferente: "Estamos todos aqui de mente aberta, para conseguir luz verde para começar as negociações", disse. "O objetivo não é conseguirmos um acordo esta noite", mas sim iniciar negociações.

13h44 Entretanto, em Atenas adensam-se os rumores de que, na sequência da votação no Parlamento helénico, Alexis Tsipras faça uma remodelação no seu Governo ou que até possa criar mesmo um novo Governo de união nacional. Segundo a edição inglesa do jornal grego "Enikos", Tsipras terá ponderado pedir a demissão dos dois ministros que se abstiveram, Panagiotis Lafazanis e Dimitris Stratoulis, mas optou por não o fazer "para não criar reações até segunda-feira, a fim de pôr o foco num acordo".

No entanto, a especulação continua. No Twitter já circula a seguinte foto de Tsipras a apertar a mão a Evangelos Meimarikis, novo líder da oposição, com várias legendas a insinuar que teremos um acordo em breve. Nesta pode ler-se "Esta foto faz eco em Bruxelas. Significa: 'a política nunca mais será a mesma na Grécia'."

13h27 O ministro das Finanças irlandês, Michael Noonan, também fez algumas críticas: "Há muitos assuntos onde preciso de saber mais informação", disse o ministro, que também criticou os gregos pela instabilidade política: "É difícil responder quando uma maioria parlamentar diminui."

Recorde-se que o Parlamento grego aprovou ontem este conjunto de propostas, contando com os votos favoráveis de alguns partidos da oposição (Nova Democracia, To Potami e Pasok). Dentro do Syriza, dois deputados votaram contra, sete estiveram ausentes da votação e oito abstiveram-se, entre eles o ministro da Energia e líder da fação mais à esquerda do partido, Panagiotis Lafazanis.

13h12 As reações dos vários participantes à entrada da reunião sucedem-se. Pierre Moscovici, comissário europeu dos Assuntos Económicos, foi o mais otimista até à data, falando num "gesto significativo" das autoridades gregas e na primeira avaliação das instituições. Mas diz que a "aplicação" do programa será decisiva. Christine Lagarde, diretora-geral do FMI, limitou-se a dizer: "Estamos aqui hoje para fazer muitos progressos."

Já os responsáveis das Finanças da Estónia e Holanda foram mais duros. Sven Sester disse que muitas questões continuam por resolver, enquanto Eric Wiebes, secretário de Estado das Finanças holandês, acusou o plano grego de ser "mais fraco nalgumas áreas do que devia".

13h10 O dia começou com diferentes sinais. Pela perspetiva mais otimista, a Reuters dá conta que as instituições (Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu) consideraram as propostas gregas como uma base possível de negociação de um terceiro resgate. Mas, por outro lado, fontes europeias disseram à agência que os altos valores de que se fala podem fazer os ministros torcer o nariz: o BCE e a Comissão Europeia avaliam que a Grécia necessitará de 74 mil milhões de euros nos próximos três anos, enquanto o FMI coloca o valor nos 78 mil milhões. No entanto, tal não significa que os credores estejam dispostos a avançar com um programa com valores tão elevados, como alerta a nossa correspondente em Bruxelas, Susana Frexes: "Os ministros terão de ver até onde estão dsipostos a ir no montante do empréstimo."

12h50 Bom dia! Os vários ministros das Finanças da zona euro já estão a chegar à reunião do Eurogrupo, que tem início previsto às 13h (hora de Lisboa). Em cima da mesa estará o pedido de resgate grego, juntamente com a série de propostas colocadas em cima da mesa por Euclid Tsakalotos, responsável das Finanças grego. Serão aceites pelos parceiros europeus? Teremos de esperar para ver. Até lá, acompanhe connosco todos os desenvolvimentos e pormenores deste dia decisivo (mais um) para o projeto europeu.