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Internacional

Papa Francisco denuncia "neocolonialismo" dos programas de austeridade

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ALESSANDRO BIANCHI

De visita à Bolívia, o Papa Francisco fez fortes críticas às agências que impõem os programas de austeridade e, cintando um bispo do século IV, disse que o dinheiro e a busca desenfreada pelo mesmo é o "esterco do diabo".

Helena Bento

Jornalista

Num longo discurso proferido na cidade de Santa Cruz, na Bolívia, perante milhares de apoiantes de movimentos populares, o Papa Francisco denunciou o "neocolonialismo das agências que impõem programas de austeridade" e apelou à instauração de uma  "nova ordem mundial".  

Segundo o Papa, este "neocolonialismo assume diferentes formas" e radica tanto nas corporações e agências de empréstimos, como na imposição de "medidas de austeridade" que prejudicam, sem exceção, "os trabalhadores e os pobres". Estes, defendeu, não devem, em situação alguma, abdicar da luta pelos seus "direitos sagrados": terra, trabalho e habitação. 

Citando um bispo do século IV, disse que o dinheiro, e a busca desenfreada pelo mesmo, é o "esterco do diabo", e que os países mais pobres não podem ser reduzidos à condição de fornecedores de matérias-primas e trabalho barato para os países desenvolvidos.

O Papa Francisco aproveitou a visita ao país para pedir perdão pelos "crimes cometidos" pela Igreja Católica Romana contra os nativos americanos durante a "conquista da América" e apelou ao fim imediato do "genocídio de cristãos" (por ele descrito como uma "terceira guerra mundial") que tem ocorrido no Médio Oriente.

"Hoje, sentimo-nos consternados ao ver como no Oriente Médio e em outras partes do mundo muitos dos nossos irmãos e irmãs são perseguidos, torturados e assassinados por causa da sua fé em Jesus", disse Francisco, que falava no segundo Encontro Mundial de Movimentos Populares (o primeiro, no ano passado, foi acolhido pelo Vaticano).

Antes dele, falou Evo Morales, Presidente da Bolívia, que esta quinta-feira lhe terá oferecido uma foice e martelo com um Cristo crucificado durante a receção no palácio presidencial, em La Paz, obtendo de Francisco a resposta "Isso não está certo". O momento foi captado numa fotografia que mostra o Papa com uma expressão de incredulidade a receber o crucifixo.

Esta sexta-feira, Francisco viaja para o Paraguai, um dos países que garantiu visitar durante o seu périplo de sete dias pela América do Sul.