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Morreu o homem que foi ministro dos Negócios Estrangeiros durante mais tempo em todo o mundo

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Reuters

Um príncipe saudita Saud al-Faisal esteve quarenta anos no cargo e era elogiado pela sua inteligência e bom senso

Luís M. Faria

Jornalista

Saud al-Faisal, o príncipe saudita, foi o ministro dos Negócios Estrangeiros há mais tempo no cargo em todo o mundo até abril passado, quando motivos de saude o obrigaram a demitir-se. Morreu quinta-feira aos 75 anos. A causa não foi divulgada, mas Saud tinha ido várias vezes aos Estados Unidos para tratamentos médicos nos últimos anos.

Filho do então ministro dos Negócios Estrangeiros e mais tarde rei, príncipe Faisal, Saud nasceu em 1940. Teve uma educação cuidada em instituições ocidentais de elite, incluindo a universidade norte-americana de Princeton, onde estudou economia. Regressado ao país, ocupou-se dos dossiers do petróleo, até assumir em 1975 a pasta que seria sua durante quarenta anos. 

 Ao longo desse período, enfrentou desafios de tipo muito variado utilizando a sua capacidade intelectual, descrita por observadores como elevada, para manter em bom estado a relação com os EUA. Nem sempre foi fácil. Além das várias guerras no Líbano e das três que envolveram o Iraque (uma com o Irão e duas com os Estados Unidos e os seus aliados), bem como das duas intifadas palestinianas e das regulares incursões israelitas em Gaza, Saud teve de lidar com o ressentimento resultante do 11 de setembro. 15 dos 19 autores dos atentados eram sauditas.

"Era a tradicional diplomacia de Estado, conservadora, tranquila e lógica, ele não tomava posições súbitas ou emocionais", disse ao New York Times Abdullah al-Shammari, um analista político saudita. O maior lamento de Saud era não se ter conseguido fazer o Estado palestiniano tão desejado.

Nos últimos tempos, um desafio incontornável e ameaçador era a ascensão do grupo autodesignado como Estado Islâmico. E talvez ainda mais, a proeminência que o Irão, principal rival da Arábia Saudita no Médio Oriente, assumiu após a deposição do sunita Saddam Hussein e a consequente tomada de poder pelo xiitas no país.