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Internacional

Conversações sobre programa nuclear do Irão atingem um impasse

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CARLOS BARRIA/REUTERS

Após ter expirado mais um prazo para o estabelecimento de um acordo, prossegue a negociação em Viena, mas as partes dão sinais visíveis de cansaço

Luís M. Faria

Jornalista

As negociações sobre o programa nuclear do Irão parecem ter atingido um ponto de bloqueio. Quinta-feira à noite, mais uma vez, foi ultrapassado um prazo importante sem haver fumo branco. Desta vez foi o momento até ao qual o Presidente Obama podia apresentar o acordo ao Congresso e este ter obrigação de responder num mês.

Agora, devido às férias de verão, o prazo sobe para o dobro, o que dá aos muitos inimigos do acordo - entre os quais o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu - tempo para reforçarem a sua oposição.

As questões complicadas são várias. Do lado do Irão, exige-se que o levantamento das sanções seja mais célere e mais amplo (incluindo as sanções relativas a embargos de armamento) e que as inspeções a instalações sensíveis no país, em especial as militares, não sejam excessivamente intrusivas. Do lado das potências ocidentais, a preocupação é sobretudo conseguir um mecanismo de inspeções que garanta absolutamente a impossibilidade de o Irão esconder quaisquer iniciativas que visem retomar o seu programa para obter a bomba. Elemento essencial disso é um esquema mais ou menos automático para repor sanções suspensas no caso de Teerão não cumprir o estabelecido.

Em duas semanas de negociações intensas num palácio em Viena, os representantes do Irão e dos outros seis países - os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU, mais a Alemanha - deram várias vezes sinais de que se podia estar prestes a chegar a um acordo histórico.

Nas últimas duas semanas, porém, o cansaço tornava-se visível, a irritação ocasionalmente manifestava-se, e o entusiasmo esmoreceu. Primeiro foi o prazo de 30 de junho que passou. Depois houve o de dia 7, e a seguir o de ontem.

Entretanto, o Irão acusou as outras partes de fazerem exigências diferentes umas das outras, e de renegarem pontos que já estariam combinados. Isso foi negado, e o secretário de Estado americano confirmou que as negociações vão continuar, embora avisando que não vai ser para sempre.