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Morto a tiro o último polícia de cidade controlada por narcotráfico

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Ao seu lado, no carro, seguia o filho de 14 anos, que também foi alvejado. Os colegas do agente morto, receando ataques de grupos ligados ao narcotráfico, tinham deixado o posto da polícia, mas Joaquín Hernández Aldaba decidira continuar, sozinho. Aconteceu no México

Helena Bento

Jornalista

Um polícia morreu esta quinta-feira na cidade de Guadalupe, no estado mexicano de Nuevo León, depois de ter sido alvejado várias vezes por um grupo ligado ao narcotráfico quando se encontrava a patrulhar uma zona semiabandonada, avançou o "El País".

Joaquín Hernández Aldaba era o último polícia de Guadalupe. Há cerca de três semanas, o chefe da polícia foi sequestrado durante um jogo de basebol, tendo sido depois torturado até à morte pelos atacantes, que lhe amarraram os tornozelos, amordaçaram e cobriram o seu rosto com um saco de plástico. Depois do ataque, os restantes agentes do posto, amedrontados, decidiram abandonar o emprego e o presidente da Câmara da cidade anunciou a dissolução da polícia local.

Mas Joaquín Aldaba decidiu continuar. Alguns antigos colegas contam que patrulhava as ruas da cidade sempre desarmado. Foi também desarmado que chegou esta quinta-feira a uma zona semiabandonada da cidade depois de ter recebido uma falsa chamada telefónica que alertava para um acidente ocorrido na zona. Quando chegou, foi recebido com 23 tiros de metralhadora. O filho seguia ao seu lado no carro, tendo sido também atingido. Jonathan, de 14 anos, acabaria por morrer no local.

Guadalupe, que faz fronteira com os Estados Unidos e fica a cerca de 60km de Ciudad Juárez (considerada uma das mais perigosas cidades do mundo, no estado do Chihuahua), é fortemente cobiçada por dois grupos de narcotráfico - o Cartel de Sinaloa, o mais poderoso cartel mexicano, e La Línea, braço armado do cartel Juarez - que se têm enfrentado ao longo dos anos.

Estatísticas recentes apontam para uma diminuição drástica da população na cidade (de 18500 habitantes, em 2008, para 2500, estimados este ano), que tem preferido abandonar as suas casas a ter de enfrentar os membros do cartéis.