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Mais de quatro milhões de refugiados sírios. Um drama sem fim às portas da Europa

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Família de refugiados sírios tentam sobreviver na Turquia

UMIT BEKTAS/REUTERS

Os refugiados sírios já são mais de quatro milhões, segundo o mais recente relatório do ACNUR. O drama é maior ainda para muitos dos que chegam por estes dias à Grécia, onde começam a escassear bens essenciais por causa da crise financeira

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) lança um alerta: se os bancos gregos continuarem fechados e a crise financeira no país se agudizar, será muito complicado continuar a garantir os bens essenciais aos refugiados que têm entrado na Europa através das ilhas gregas. 

Só na última semana chegaram à ilha de Lesbos mais de 9000 imigrantes, o que torna difícil a tarefa das Nações Unidas e de ONG no terreno, de arranjar garrafas de água e colchões em número suficiente para entregar aos recém-chegados. 

As ilhas gregas ultrapassaram, nas últimas semanas, as ilhas italianas (Itália e Sicília) no que toca ao acolhimento de migrantes que chegam à Europa. Perto de 80 mil vieram da Turquia desde o início de 2015 - seis vezes mais do que os que chegaram em todo o ano de 2014. 
 
Onda de refugiados na Grécia 
A responsável das Nações Unidas, Laura Padoan, explicou ao "Guardian" que "a precária situação financeira" pode comprometer o plano de ajuda a estas pessoas. "Se não conseguirmos dinheiro imediatamente, isso poderá pôr em causa os nossos programas porque pagamos aos nossos fornecedores através de contas gregas. Muitos programas dependem das compras de bens gregos." 

Uma onda de refugiados sem precedentes nas ilhas orientais da Grécia está a preocupar o Governo grego. Este território grego situa-se a menos de 100 quilómetros de vários portos turcos, de onde muitos migrantes começaram a arriscar, desde o início do verão, a travessia do mar Egeu em barcos de borracha. Perto de 19 terão morrido afogados nos últimos dias. 

Os campos de refugiados provisórios como o de Kara Tepe, em Lesbos, estão sobrelotados. Perto de cinco mil pessoas tentam ali sobreviver como podem. Escasseia comida e, na terça-feira, o exército foi chamado de emergência a fornecer alimentos num outro campo na ilha de Samos (ilha situada a sul de Lesbos). 
 
Números assustadores 
São mais de quatro milhões os refugiados sírios em fuga da guerra civil que devasta o país desde março de 2011. 

A maioria encontrou refúgio em países vizinhos, como a Turquia, onde residem atualmente perto de dois milhões, lê-se no relatório do ACNUR, divulgado esta quinta-feira. A Turquia é, atualmente, o país com maior número de refugiados em todo o mundo. 

O conflito sírio gerou a maior crise de refugiados em quase um quarto de século, diz o ACNUR. Há 4.013.000 sírios fora do país e 7,6 milhões de deslocados internos. A este ritmo, a agência da ONU prevê que o número destes refugiados possa atingir os 4,27 milhões no final deste ano. 

"É a maior população de refugiados de um só conflito numa geração. É uma população que necessita do apoio de mundo mas em vez disso vive em condições terríveis e afunda-se cada vez mais na pobreza", disse o Alto Comissário para os Refugiados, António Guterres. 

Perto de 249 mil procuraram abrigo no Iraque, mais de 620 mil na Jordânia, 132 mil no Egito e mais de um milhão no Líbano.