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Credores analisam sustentabilidade da dívida enquanto em Atenas se fala em mais €12 mil milhões de cortes

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Um pensionista bate à porta de umas das dependências do Banco da Grécia, em Atenas. Bancos continuam fechados até segunda-feira e os levantamentos de dinheiro permanecem condicionados: 60 euros diários por pessoa, valor que sobe até aos 120 para pensionistas

YANNIS BEHRAKIS / Reuters

Grécia tem até ao final do dia para entregar propostas. Juncker reúne-se em Bruxelas com dois partidos da oposição grega

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, diz que às “propostas realistas de Atenas” os credores têm de responder com “propostas realistas sobre a sustentabilidade da dívida”. A ideia foi deixada no Twitter e não esclarece se os parceiros do euro devem começar já a discutir o assunto da reestruturação da dívida ou se devem deixá-lo para mais tarde, como defende a chanceler alemã ou o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

A Comissão está nesta altura a fazer também uma nova análise das atuais necessidades financeiras gregas. Faltam agora as propostas “conclusivas” que deverão chegar às instituições e ao Eurogrupo antes da meia-noite. Comissão Europeia e Banco Central Europeu vão depois analisá-las antes do Eurogrupo deste sábado e da cimeira de líderes de domingo. Segundo o jornal grego "Kathimerini", as medidas propostas pelo Governo de Tsipras deverão conseguir render ao Estado grego 12 mil milhões de euros em dois anos e não oito mil milhões, como Atenas tinha proposto inicialmente. 

Na terça-feira à noite, Juncker confirmou que antes da rutura das negociações com a Grécia, a 27 de junho, tinha dito ao primeiro-ministro grego que a discussão sobre alívio da dívida poderia chegar em outubro. Para o Fundo Monetário Internacional (FMI), a discussão é fundamental. A diretora-geral do Fundo, Christine Lagarde, veio dizer quarta-feira que para que a dívida grega se torne “viável” necessita de uma “reestruturação”. Mas um alívio imediato da dívida grega tem enfrentado resistências por parte dos credores europeus e não está de momento em cima da mesa.

Apesar da diferença de posições, certo é que a Comissão Europeia e o FMI estão a fazer a análise da sustentabilidade da dívida grega em conjunto. A nova avaliação foi pedida na quarta-feira ao Executivo comunitário pelo Mecanismo Europeu de Estabilidade, na sequência do novo pedido de empréstimo – por três anos – feito pelo Governo de Alexis Tsipras. A análise de sustentabilidade da dívida faz parte dos procedimentos necessários para que os ministros das finanças (Eurogrupo) possam tomar uma decisão e dar eventual “luz verde” ao terceiro resgate.

Uma análise recente da sustentabilidade da dívida grega - feita também pelas instituições europeias e pelo FMI – dava conta que as derrapagens e incertezas políticas dos últimos meses “tornaram impossível alcançar os objetivos” estabelecidos em  2012. A dívida grega deveria descer aos 124% do PIB em 2020 e estar abaixo de 110% em 2022. Atualmente ronda os 180%.

Comissão e FMI poderão agora concluir uma ainda maior deterioração da sustentabilidade da dívida. Mas só a vontade política dos credores poderá abrir a porta à discussão de um alívio – aumento dos períodos de carência e das maturidades ou a diminuição das taxas de juro -, seja agora ou dentro de alguns meses.

Esta quinta-feira, a oposição a Tsipras está em Bruxelas. Durante a tarde, Jean-Claude Juncker encontra-se com uma delegação do partido Nova Democracia e também com o líder do To Potami. A Comissão diz que está empenhada em conseguir um acordo e que o objetivo é evitar recorrer ao cenário de Grexit, “preparado ao detalhe” segundo Jean-Claude Juncker.

“Estamos no plano A e estamos a tentar que funcione. Estamos prontos para todos os cenários, mas estamos a trabalhar arduamente para que o plano A funcione”, voltou a repetir esta quinta-feira o porta-voz da Comissão Europeia, Margaritis Schinas.