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Internacional

Acordo nuclear com o Irão está "96% completo"

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Deputados da União Europeia e ministros norte-americanos, alemães, franceses, russos e chineses reúnem-se em Áustria para chegar a um acordo nuclear com o Irão

LEONHARD FOEGER / REUTERS

Ministros das seis potências mundiais estão em Viena para conseguirem um acordo nuclear com o Irão. Tudo parece estar tratado, menos uma questão: o embargo ao armamento de Teerão que os aliados querem manter, mas a Rússia quer levantar

Estados Unidos, Grã-Bretanha, Alemanha, França, Rússia e China estão muito próximos de conseguirem um acordo nuclear com o Irão. Os doze anos de disputas sobre as ambições nucleares de Teerão poderão assim ser resolvidos, mas o impasse continua: os países não concordam sobre o armamento iraniano e o comércio de mísseis.

O objetivo do acordo é travar as atividades nucleares de Teerão por mais de uma década, em troca de um alívio das sanções, mas as negociações têm sido difíceis de concluir. Os países envolvidos já estenderam o prazo do acordo por duas vezes e, se este não ficar fechado na sexta-feira, terão de fazê-lo mais uma vez.

"Esperamos que hoje seja o último dia", disse esta manhã à Reuters Ali Akbar Salehi, chefe do nuclear iraniano, num encontro com o secretário da Energia dos Estados Unidos em Viena. 

Já o Secretário de Estado norte-americano, John Kerry, tem-se reunido diariamente nas últimas duas semanas com o ministro dos Negócios Estrangeiros de Teerão, Mohammed Javad Zarif, para tentar ultrapassar as dificuldades pendentes.

Lavrov: "vamos apoiar todas as decisões que os negociadores iranianos tomarem"
Segundo o ministro-adjunto dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araqchi, o acordo está "96% completo". O assunto mais controverso parece ser o embargo ao armamento imposto pelo Conselho de Segurança da ONU. De um lado está o Irão, apoiado pela Rússia, a exigir o fim do embargo, e do outro os Estados Unidos e os seus aliados europeus, determinados a mantê-lo.

Teerão defende que este embargo nada tem a ver com o assunto e que deveria ser levantado para se conseguir um acordo.

Em declarações na cimeira dos BRICS (acrónimo para o grupo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que decorre na cidade russa de Ufa, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, defendeu que o embargo ao armamento deveria ser uma das primeiras sanções a serem levantadas.

"Estamos a pedir para que o embargo seja levantado o mais rapidamente possível", declarou Lavrov, acrescentando que a Rússia vai apoiar todas as "decisões que os negociadores iranianos tomarem".