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Internacional

Um ano depois da guerra em Gaza, a reconstrução ainda não chegou

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Uma família palestiniana pernanece sentada jumto à sua casa danificada pelos bombardeamentos

MOHAMMED SABER/EPA

Mais de 12 mil casas destruídas e 100 mil danificadas, até agora nenhuma das quais reconstruída. Faz esta quarta-feira um ano que Israel iniciou os bombardeamentos sobre a Faixa de Gaza

Ali Wahadan, um professor de matemática da Faixa de Gaza, perdeu a sua mulher, 11 membros da família e uma perna durante um bombardeamento israelita à cidade de Beit Hanoun, no norte da Faixa de Gaza, no âmbito da intervenção militar que Israel lançou há precisamente um ano.

Recentemente, os médicos amputaram-lhe a outra perna. “A guerra terminou, mas a minha tragédia não”, afirmou à agência Reuters o palestiniano de 36 anos, sentado numa cadeira de rodas. “Há um ano eu era um professor diante dos meus alunos. Hoje eu não consigo sequer ajudar os meus filhos”, acrescentou.

A intervenção militar israelita, que surgiu em retaliação pelo lançamento de "rockets" contra o seu território por parte de militantes do Hamas, causou a morte de 2100 palestinianos, a maioria dos quais civis, entre os quais 500 crianças. Do lado de Israel, o conflito causou 73 mortos, quase todos soldados.

Mais de 70% das crianças palestinianas das zonas mais afetas têm pesadelos e urinam-se durante a noite, segundo indicou esta semana a organização humanitária Save the Children.

Em termos materiais, os bombardeamentos israelitas destruíram mais de 12 mil casas e 100 mil ficaram danificadas, nenhuma das quais foi até agora reconstruida. Milhares de palestinianos permanecem desalojados.

Entretanto, salafitas que se dizem aliados do autodenominado Estado Islâmico (Daesh) têm ganho força em Gaza, levando a ataques contra o Hamas.

Hamas e Fatah de costas voltadas
Esta situação levou o Egito e Israel a darem passos no sentido de um auxílio indireto ao Hamas, nomeadamente através da abertura das fronteiras, para permitir a passagem de pessoas e de bens para o território, na esperança de que a medida aumente a popularidade do grupo em detrimento do apoio dos palestinianos aos salafitas.

Entretanto, a desavença entre o presidente da Autoridade Palestiniana e líder do partido Fatah, Mahmoud Abbas, e o Hamas ainda não foi superada. As rivalidades têm ameaçado a sobrevivência do Governo de unidade acordado em junho de 2014 e que o Presidente Abbas tenta reformular.

O acordo previa que a Autoridade Palestiniana voltasse a controlar as fronteiras e a segurança do território, o que ainda não se verificou. A rutura entre Hamas e Fatah nunca foi tão acentuada. As sondagens sugerem que se se realizassem agora eleições na Palestina, a Fatah sairia vitoriosa.