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Tsipras mostra-se confiante num “acordo justo”

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FOTO PATRICK SEEGER/EPA

Primeiro-ministro helénico garante que a escolha do povo grego não é uma opção de rutura com a Europa, mas de regresso aos valores que estão na base da democracia europeia. “Acredito que juntos vamos ultrapassar este desafio”, afirmou Alexis Tsipras no Parlamento Europeu

Num discurso de apelo à união, Alexis Tsipras defendeu esta manhã no Parlamento Europeu que os gregos escolheram uma “solução justa” no referendo do passado domingo, votando contra a austeridade imposta pelos credores. E garantiu que a Grécia não está interessada num confronto com a Europa, mas na necessidade de alcançar um acordo com medidas economicamente viáveis e socialmente justas.

“O povo grego votou para que se encontre uma solução justa. O “não” não é uma opção de rutura com a Europa, mas de regresso aos valores que estão na base da democracia europeia. A UE tem de ser democrática ou enfrentará graves dificuldades para sobreviver”, declarou o primeiro-ministro helénico na sede do Parlamento Europeu, em Estrasburgo.

“Não é um problema só da Grécia,  mas um problema europeu que exige  uma solução europeia”, insistiu.

Sublinhando que os cidadãos gregos enfrentaram nos últimos anos sacrifícios sem precedentes, Alexis Tsipras afirmou que nenhum país da zona euro foi alvo de um programa de austeridade tão duro como o da Grécia.“Assumo a responsabilidade pelos eventos dos últimos cinco meses, mas os problemas na Grécia duram há cinco anos. O país transformou-se num laboratório experimental de austeridade“, disse perentório.

O chefe do Executivo grego garantiu ainda que a sua equipa está a trabalhar arduamente para evitar uma rutura com a Europa. “As propostas gregas incluem reformas credíveis e insistem na necessidade de se começar a discutir um alívio da dívida. Precisamos de um programa com base no crescimento e no desenvolvimento sustentável, sem isso não podemos sair da crise“, acrescentou.

Tsipras apelou ainda aos parceiros europeus para mostrarem a “luz ao fundo do túnel” aos gregos com vista a um acordo que seja benéfico para os dois lados. “As propostas do governo grego não serão feitas para ser mais um fardo para os contribuintes europeus. Do nosso lado, nós continuarem a trabalhar em propostas e reformas concretas para implementar no país que permitam um acordo justo. Acredito que juntos vamos ultrapassar este desafio”, concluiu.

O presidente do Conselho Europeu lembrou por seu turno que o tempo está esgotar-se para a Grécia e para a zona euro, alertando para os riscos da saída do país da zona da moeda única. “O prazo termina no fim desta desta semana. Estamos a enfrentar um momento difícil para a Europa e para a União Monetária. A nossa incapacidade para alcançar acordos poderá conduzir à bancarrota da Grécia e à insolvência do seu sistema financeiro. Mas não tenho dúvidas de que isso afetará também a Europa até do ponto de vista geopolítico”, afirmou Donald Tusk.

  • Novo pedido de resgate grego já foi recebido

    Porta-voz do Mecanismo de Estabilidade Europeu confirma que carta com pedido oficial de terceiro resgate, através do Mecanismo de Estabilidade Europeu, feito pelo Governo grego, já chegou a Bruxelas. A carta contém propostas de mexidas em impostos e pensões e uma breve referência à sustentabilidade da dívida grega e deverá ser analisada pelo grupo preparatório do Eurogrupo esta quarta-feira