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Internacional

Putin recebe líderes dos BRICS e garante que "todos os problemas serão superados"

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Apesar de Kremlin assegurar um rápido desenvolvimento dos BRICS, os peritos independentes em política internacional clarificam que o grupo está ainda longe de concretizar os seus objetivos

ALEXEY NIKOLSKY / RIA NOVOSTI / KREMLIN POOL

Numa remota cidade russa, líderes dos países com economias emergentes discutem a Grécia, o terrorismo, a Ucrânia, o Irão e uma nova ordem mundial. A cimeira serve também para mostrar que Moscovo não está isolado

Os BRICS - acrónimo de um grupo de países constituído por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul - reunem-se esta quarta, quinta e sexta-feira em Ufa, uma remota cidade no sudeste russo constituída no século XVI pelo czar Ivan, o Terrível. Em cima da mesa está "a atualidade internacional, incluindo a Ucrânia, Grécia e a ameaça terrorista por parte do Estado Islâmico", garantiu um dos assessores do Presidente russo Vladimir Putin. 

O encontro tem ainda por objetivo discutir o lançamento de um novo banco, gerido exclusivamente pelos membros do grupo: Novo Banco de Desenvolvimento (NBD). Com esta medida, Vladimir Putin espera reduzir o domínio das instituições financeiras do Ocidente e mostrar que Moscovo não está isolado. 

Num encontro à margem da cimeira com o Presidente chinês, Xi Jinping, Vladimir Putin garantiu que todos os problemas que os BRICS enfrentam serão resolvidos: "Sabemos as dificuldades que enfrentamos, tanto na economia como na política internacional, mas, com esforços conjuntos, não há dúvida que conseguiremos supera-los".

"Os BRICS tornaram-se um fator influente na política mundial"
Um quinto da produção económica mundial provém dos BRICS, onde vive cerca de 40% da população do planeta. 

Putin começou a apostar mais nos países com mercados emergentes (com especial atenção para a Ásia), depois do Ocidente ter imposto sanções a Moscovo pelo seu papel na crise na Ucrânia. Recorde-se que depois do Kremlin ter anexado a Crimeia, a Rússia foi suspensa do G8, numa medida que simbolicamente deixou o Kremlin muito afetado.

"Os BRICS, para além da sua agenda económica e pragmática, tornaram-se um fator influente na política mundial", declarou na semana passada Sergei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros russo. Garantiu ainda que todo o esforço de unificação do grupo nada tem a ver com a oposição ao Ocidente e que os BRICS têm um papel muito importante na "estabilização" dos assuntos internacionais. Numa altura em que a Europa está tudo menos "estável", os rumores de que Rússia terá convidado a Grécia a unir-se a este grupo não param de surgir. Contudo, até ao momento, não passam disso mesmo. 

Organização de Cooperação de Xangai também está em Ufa
Apesar do Kremlin projetar um rápido desenvolvimento dos BRICS, peritos independentes em política internacional defendem que o grupo está ainda longe de concretizar os seus objetivos e que a relação entre a Rússia e a China continua muito distante, ao contrário do que Moscovo gostaria. Exemplo disso é o progresso lento da entrada em funcionamento do Novo Banco de Desenvolvimento. Na cimeira dos BRICS no ano passado, realizada no Brasil, ficou acordado que a sede do banco seria em Xangai, contudo, a China só ratificou a decisão na semana passada. Isto leva a crer que, no mínimo, o NBD precisará ainda de um ano para começar a funcionar. 

Além da cimeira dos BRICS, a cidade do czar Ivan, o Terrível hospeda também uma reunião da Organização de Cooperação de Xangai, um grupo de cooperação para a segurança constituído pela China, Rússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão, onde a Índia e o Paquistão estão prestes a aderir.