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Manuel Valls. “França recusa saída da Grécia do euro”

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FOTO MARTIN BUREAU/AFP/Getty Images

Num discurso solene e com tonalidades algo dramáticas, na tarde desta quarta-feira, na Assembleia francesa, o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, colocou França como principal país aliado da Grécia nas negociações com a zona euro

Foi um chefe de Governo francês convicto, claramente contra a saída da Grécia da zona euro e bastante otimista sobre a possibilidade de um acordo nas negociações europeias com o Governo de Alexis Tsipras, que subiu hoje à tribuna da Assembleia Nacional francesa para dizer: “a França recusa a saída da Grécia da zona euro”.

Colocando a França como principal país europeu aliado do Governo de Atenas, Manuel Valls evocou um cenário negro para a União Europeia e a Grécia se este país saísse da zona euro.

Com gravidade, o primeiro-ministro explicou porque razão o Presidente François Hollande e o Governo estão “determinados” a fazer tudo para manter a Grécia na zona euro.

Evocou razões históricas e culturais, económicas, mas igualmente geoestratégicas – designadamente que uma saída da Grécia do euro provocaria a desestabilização da União Europeia e da região dos Balcãs e igualmente agudizaria o problema da emigração no Mediterrâneo.

“As consequências de uma saída da Grécia seriam terríveis, porque ela nunca se faria com calma e sem dramas” , disse Valls.

“A Grécia é um grande país europeu, saibamos compreender as mensagens de um povo que sofreu uma austeridade sem precedentes; os gregos não disseram não ao euro, sabem as consequências que isso teria: o desmoronamento dos rendimentos, os preços a explodirem, as graves consequências sociais, económicas e políticas”, salientou o primeiro-ministro francês.

Grécia avançou com propostas “equilibradas e positivas”
Sobre as negociações em curso com Atenas, Manuel Valls garantiu que a França e a Alemanha se encontram numa “postura construtiva” e afirmou que as últimas propostas avançadas pelo Governo grego  são “equilibradas e positivas”. 

Exortou o Governo de Atenas a avançar com reformas na fiscalidade e no sistema das pensões de reforma, mas acrescentou igualmente que a zona euro deve dar aos gregos “perspetivas claras” no que respeita ao “tratamento” da sua dívida, dando a entender que a França é favorável à sua reestruturação.

Sobre este último ponto, que é um dos principais focos de divergência entre Atenas e a maioria dos governos dos restantes países da zona euro, Manuel Valls ouviu críticas da parte da oposição de direita, mas prometeu que um eventual acordo será submetido a discussão e ao voto na Assembleia francesa.

Segundo um estudo do Senado francês, a saída da Grécia poderia custar à França 65 mil milhões de euros, um valor superior ao da dívida da Grécia à França, que é de cerca de 42 mil milhões.

“Um acordo na zona euro está ao alcance das nossas mãos, a França fará tudo para o conseguir” – concluiu, com veemência, Manuel Valls.