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Juncker afasta possibilidade de acordo esta terça-feira

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Julien Warnand / Reuters

O presidente da Comissão Europeia afirmou que é preciso "negociar por etapas" para se alcançar um acordo, subinhando que essa decisão está nas mãos do governo grego

A poucas horas das reuniões entre os ministros das Finanças e os chefes de Estado da zona euro, Jean-Claude Juncker mostrou-se esta manhã pouco otimista quanto à possibilidade de se alcançar hoje um acordo entre a Grécia e os credores. O presidente da Comissão Europeia reiterou que é vital o país manter-se na zona da moeda única, frisando que essa decisão está nas mãos do Executivo helénico.   

"Eu sou contra um Grexit [saída da Grécia da zona euro]. Isso seria um erro, no entanto, é pouco provável chegar-se esta terça-feira a um acordo. Há que negociar por etapas para conseguir um pacto",  declarou Jean-Claude Juncker em Estrasburgo, citado pela Reuters.

O líder da Comissão Europeia disse ainda que vai exigir explicações ao primeiro-ministro helénico sobre o referendo do passado domingo, uma vez que os gregos pronunciaram-se sobre uma proposta que já não está em discussão. "Não percebo o circo do referendo. Os cidadãos da Grécia pronunciaram-se no domingo e eu gostava de perceber a situação, uma vez que lhes foi colocada uma questão sobre algo que não existe. O povo grego votou maioritariamente 'não' contra um texto que já não está em cima da mesa", realçou.

Tecendo duras críticas à retórica grega, Juncker afirmou que é "inaceitável" a delegação helénica ter apelidado as instituições credoras de "terroristas", insistindo na necessidade de retomar o diálogo.   

Líderes europeus pressionam Atenas
O ministro italiano dos Negócios Estrangeiros remeteu por sua vez a responsabilidade da situação grega aos líderes do país das últimas duas décadas. "A Grécia está em crise e fora dos parâmetros, mas não é culpa dos vilões alemães, mas responsabilidade dos sucessivos governos em Atenas dos últimos 20 anos", disse Paolo Gentiloni, numa entrevista publicada esta terça-feira no jornal "Corriere della Sera".

Alertando para as consequências de um 'Grexit', o primeiro-ministro francês considerou que se devem criar  já está terça-feira as bases para um acordo com vista a um terceiro resgate grego. "A França está convenciada de que não se pode correr o risco da Grécia sair do euro, tanto por razões económicas, como políticas. A Europa que conhecemos está em jogo, por isso devem ser feitos todos os possíveis para alcançar um consenso. É necessário manter a coesão da zona euro", afirmou Manuel Valls à rádio RTL.

Também o chefe do Executivo espanhol, Mariano Rajoy, alertou que o tempo está a esgotar-se, sustentando que o governo grego deve "negociar rapidamente e cumprir depois os compromissos".

Depois de uma reunião de emergência em Paris, Hollande e Merkel reiteraram na segunda-feira que os credores continuam a aguardar novas propostas do Executivo helénico, alertando que o Conselho Europeu pode ser a última oportunidade para o país decidir o seu futuro.  

Também dos Estados Unidos surgem alertas: Barack Obama manteve ontem uma conversa telefónica com François Hollande, tendo apelado à retoma das negociações com vista a um acordo urgente. Entretanto, o secretário do Tesouro norte-americano, Jack Lew, contactou o primeiro-ministro grego e o novo ministro das Finanças Euclid Tsakalotos, fazendo votos no mesmo sentido tendo em conta as consequências da saída da Grécia da zona euro.