Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Ataques aéreos liderados pela Arábia Saudita matam 100 no Iémen

  • 333

Guerreiros hutis protegem a casa de um dos seus comandantes, depois desta ter sido destruída em ataques aéreos da coligação internacional liderada pela Arábia Saudita esta segunda-feira

KHALED ABDULLAH / REUTERS

O Governo iemenita e os rebeldes houtis prometem uma trégua de três dias para que as Nações Unidas prestem auxílio à população

Mais de 100 pessoas morreram esta segunda-feira no Iémen em consequência dos ataques aéreos levados a cabo pela coligação internacional liderada pela Arábia Saudita. Os esforços das Nações Unidas para uma trégua humanitária veem-se, assim, dificultados.  

A coligação interveio em março contra as forças houtis que, apoiadas pelo Irão, ocuparam as maiores cidades iemenitas. O objetivo dos ataques liderados pela Arábia Saudita é expulsar o grupo e restaurar o governo do exilado Presidente do Iémen, Abd-Rabbu Mansour Hadi. 

Em apenas três meses, já morreram mais de três mil pessoas. A agência noticiosa Saba, em posse das forças houtis, anunciou que 54 pessoas morreram em ataques aéreos na província de Amran, a norte da capital Sanaa, 40 das quais se encontravam às compras no mercado local Lower Joub. Neste número estão incluídas mulheres e crianças. 

Resolução das Nações Unidas
No mesmo dia foi ainda atacado o mercado de gado da cidade al-Foyoush, no sul do país, resultando na morte de outras 40 pessoas. A juntar a este número, moradores locais acrescentam outras 30 vítimas resultantes de um ataque que, alegadamente, tinha por objetivo um posto de controlo dos houtis na estrada principal entre as cidades de Adem e Lahij. Destes 30, dez eram combatentes houtis. 

Em abril deste ano (um mês após o início dos confrontos), as Nações Unidas divulgaram uma resolução que pedia às forças houtis para abandonarem as cidades que ocupavam e, previa ainda, o auxílio aéreo à população iemenita. O governo de Abd-Rabbu Mansour Hadi encontra-se exilado na capital saudita, Riade e, segundo o seu porta-voz Rajeh Badi, está em conversações para implementar estas resoluções. 

"O mecanismo que apresentamos exige garantias reais que assegurem que a ajuda é prestada àqueles que precisam", disse à Reuters o porta-voz de Mansour Hadi, acrescentando que o cerco às cidades de Aden, Taiz, Lahij e Dhalea estava prestes a ser levantado. 

Segundo Badi, nos próximos dias 17, 18 e 19 de julho haverá um cessar-fogo que permitirá que a ajuda aérea chegue à população. Do outro lado, os houtis, manifestaram a sua disponibilidade para a trégua. 

Deterioração das condições humanitárias
A atividade diplomática surge num momento em que as condições humanitárias no país se encontram gravemente deterioradas. Na semana passada, as Nações Unidas classificaram a guerra no Iémen com o nível três, o mais severo. 

Iémen encontra-se em profunda divisão civil, mas os maiores combates dão-se entre as forças pró-governamentais e os rebeldes houtis. Estes últimos, oficialmente denominados, Ansar Allah (Guerrilheiros de Deus) iniciaram a luta em 2004 em protestos onde reivindicavam maior autonomia da zona onde habitavam (norte do Iémen) e maior proteção pela cultura e tradições zaiditas, diferentes das da maioria sunita.  

O governo de Mansour Hadi é apoiado pela coligação internacional liderada pela Arábia Saudita, país que vê os houtis como embaixadores do seu grande rival - o Irão.