Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Há 124 milhões de crianças que nunca vão poder ir à escola

  • 333

Se somarmos a população de Portugal, Espanha e França, estaremos muito perto do número de crianças e adolescentes que nunca vão ter acesso à escola. A ajuda internacional está em queda, em níveis inferiores aos de 2010

O número de crianças e adolescentes que nunca entraram numa sala de aula "aumentou para níveis preocupantes" nos últimos anos. A denúncia consta do Relatório de Observação Global da Educação para Todos, uma publicação independente autorizada pela UNESCO. Dos cerca de 124 milhões de crianças condenadas a esta condição, as maiores vítimas são raparigas.

Só no sudoeste asiático, 80% dos menores suscetíveis de continuarem fora da escola são do sexo feminino, em comparação com 16% dos rapazes, refere o estudo. Face aos resultados do estudo, a diretora geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), Irina Bokova, apelou aos países para que "assumam compromissos sérios" no sentido de aumentar a ajuda à educação. 

A responsável da agência da ONU considerou que caso a ambiciosa meta traçada pela comunidade internacional, de garantir o acesso livre e equitativo da qualidade de educação por 12 anos, não seja cumprida, a iniciativa poderá "permanecer indescritível para milhões de crianças e jovens" afetados.  
Também o diretor do Relatório de Observação Global, Aaron Benavot, considerou que "a menos que os doadores levem a sério a questão do financiamento, as metas e as promessas de progresso não são suscetíveis de serem cumpridas".  

Aaron Benavot destacou que, apesar de ter havido um aumento de 6% na ajuda à educação, os níveis de investimento são 4% mais baixo hoje do que em 2010 e há risco de estagnação nos próximos anos. 

A UNESCO diz que são necessários 35 mil milhões de euros para garantir a educação gratuita para todos em países em subdesenvolvimento e assinala que, para colmatar o défice, os doadores devem aumentar seis vezes a sua ajuda para o setor.