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Como Varoufakis disse adeus: tradução com análise de Ricardo Costa

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“Envergarei com orgulho a aversão dos credores.” Varoufakis demitiu-se do Governo de Tsipras e explicou porquê no seu blogue: “Nós, da Esquerda, sabemos como agir coletivamente sem preocupação com os privilégios das funções”. O Expresso traduz o texto, que é acompanhado de um comentário vídeo de Ricardo Costa

Tradução


Já não sou ministro. 

O referendo de 5 de julho ficará na história como um momento único quando um país pequeno europeu se insurgiu contra a escravidão da dívida.
 
Como todas as lutas pelos direitos democráticos, também esta histórica rejeição do ultimato de 25 de junho do Eurogrupo tem um preço elevado. É assim essencial que o grande capital concedido ao nosso governo pelo esplêndido “não” seja imediatamente convertido num “sim” a uma resolução apropriada – um acordo que inclua a reestruturação da dívida, menos austeridade, redistribuição a favor do mais necessitados e verdadeiras reformas.

Logo após o anúncio dos resultados do referendo, tive conhecimento de uma certa preferência por parte de alguns participantes do Eurogrupo e de parceiros variados pela minha ... "ausência" nas nossas reuniões; uma ideia que o primeiro-ministro considerou ser potencialmente útil para poder chegar a um acordo. É por esta razão que estou a deixar o Ministério das Finanças esta segunda-feira. Considero que é meu dever ajudar Alexis Tsipras a explorar, como lhe aprouver, a capital que o povo grego nos concedeu através do referendo de domingo.  

ALKIS KONSTANTINIDIS / Reuters

Envergarei com orgulho a aversão dos credores. Nós, da Esquerda, sabemos como agir coletivamente sem preocupação com os privilégios das funções. Apoiarei totalmente o primeiro-ministro Tsipras, o novo ministro das Finanças e o nosso governo 

O esforço sobre-humano para honrar o bravo povo da Grécia e o famoso OXI (não) que concedeu aos democratas de todo o mundo está a apenas a começar.

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