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Bruxelas: depois do “não”, é preciso “trabalhar de forma séria”

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FOTO OLIVIER HOSLET/GETTY

O vice-presidente do Comissão Europeia com a pasta do euro diz que o fosso entre a Grécia a o resto da zona euro é agora maior

Valdis Dombrovskis repete que “lugar da Grécia é na Europa” e que a Comissão está disponível para continuar a trabalhar mas alerta que a solução depende do empenho de todos “incluindo da Grécia” para trabalhar de forma “responsável e séria”.

“Atualmente não estamos em negociações, nem a nível político, nem técnico porque não temos um mandato”, disse Valdis Dombrovskis, reconhecendo que com a vitória do “não” a situação torna-se mais "complicada". A Comissão Europeia está à espera que o Eurogrupo – ministros das finanças da zona euro – tome uma decisão sobre um terceiro resgate grego.

O pedido de um novo empréstimo, através do Mecanismo Europeu de Estabilidade, foi feito na semana passada mas os países do euro optaram por não tomar qualquer decisão antes de serem conhecidos os resultados do referendo de domingo. 

O governo de Alexis Tsipras quer agora regressar à mesa das negociações com um mandato reforçado pela vontade popular. Mas ontem o presidente do Eurogrupo foi direto nas palavras ao dizer que o resultado – a vitória do “não” às propostas dos credores – era “lamentável para o futuro da Grécia”. Em comunicado, Jeroen Dijsselbloem acrescentava ainda que para a recuperação da economia grega são precisas “medidas e reformas difíceis e inevitáveis”

O ministros das Finanças do euro reúnem-se novamente amanhã e esperam que o substituto de Yannis Varoufakis “apresente novas propostas”. A reunião decorre horas antes de uma Cimeira do Euro extraordinária, onde o futuro da Grécia vai ser discutido por Alexis Tsipras e os restantes 18 chefes de Estado e de Governo do Euro.

“O lugar da Grécia é no Eurogrupo”, voltou hoje a dizer a Comissão Europeia. Valdis Dombrovskis diz que uma solução ainda é possível mas é preciso que todos os lados “incluindo a Grécia” trabalhem de forma “responsável e séria”.

Alexis Tsipras deverá insistir numa reestruturação imediata da dívida grega. O vice-presidente da Comissão Europeia não se compromete e diz que um novo resgate implica um novo estudo sobre a “sustentabilidade da dívida” uma vez que o estado da economia se deteriorou.

Questionado sobre o estudo do FMI - divulgado na semana passada - que aponta para a necessidade de um alívio da dívida grega, Dombrovskis responde que a análise da sustentabilidade da dívida feita durante o segundo programa tinha o acordo das três instituições, incluindo o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu. 

A discussão da reestruturação da dívida era uma promessa de 2012 dos credores oficiais que apenas aceitavam debater o assunto depois da implementação do segundo programa de resgate. Um programa que acabou por expirar no passado dia 30 de junho, sem acordo e sem reformas a serem implementadas por Atenas. 

Sobre a resposta do povo grego e a capacidade negocial de Atenas, o vice-presidente voltou a dizer que Bruxelas respeita e tomou nota do resultado mas recorda que a pergunta foi colocada de forma errada. “A questão do referendo diz respeito a um programa que expirou”. Segundo Dombrovskis, as propostas referendadas não tinham o apoio do Eurogrupo nem reflectiam o ponto de situação das negociações.