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Quase dez milhões de gregos chamados a decidir o futuro da Grécia

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FOTO YANNIS BEHRAKIS/REUTERS

É o primeiro referendo depois de 1974, quando os gregos abandonaram a monarquia e instauraram a república. As mais 19 mil assembleias de voto fecham às 19h de Atenas (17h de Lisboa).

Quase dez milhões de gregos são este domingo chamados a decidir o futuro da Grécia e, provavelmente, a permanência na zona euro, no primeiro referendo depois de 1974, quando abandonaram a monarquia e instauraram a república.

As urnas abrira às 7h00 locais (5h00 em Lisboa) e fecham às 19h00 (17h00 em Lisboa), antecipando uma longa noite para os líderes europeus e para os principais atores financeiros.

Os primeiros resultados devem ser conhecidos a partir das 19h00 (hora em Lisboa).

As unidades de análise do Barclays e do BNP Paribas, por exemplo, mandaram os seus principais técnicos e analistas apresentarem-se ao serviço a meio da tarde de domingo, para começar a analisar a evolução da votação e desenhar os principais cenários tendo em conta os resultados.

O referendo serve para os gregos decidirem se aceitam o programa apresentado pelos credores internacionais (Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu) há mais de uma semana. Contudo, esse programa já não existe, dado que a Grécia falhou o pagamento de 1,55 mil milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI) a meio da semana passada.

O Governo grego surpreendeu toda a gente na noite de 26 de junho, ao anunciar um referendo durante as negociações, e ficou assim arredado de receber, pelo menos para já, cerca de 12 mil milhões de euros que estavam a ser negociados com os parceiros europeus até novembro, e mais de 3,5 mil milhões de euros vindos do FMI.

O Governo Syriza liderado por Alexis Tsipras, bem como a direita nacionalista ANEL e os neonazis do Aurora Dourada, defendem que a resposta à pergunta sobre se aceita o programa de ajuda externa que estava em cima da mesa deve ser o 'Não', argumentando que um novo mandato do povo grego dará mais força negocial a partir de segunda-feira, quando a 'troika' se sentar novamente à mesa com as autoridades gregas.

Do lado europeu, a interpretação é contrária: um 'Não' significa, na verdade, um não à zona euro e à Europa, dado que a Grécia não tem condições para continuar a usar a moeda única sem assistência financeira dos parceiros.

Do outro lado da barricada estão os partidos da oposição (Nova Democracia, de direita, o Pasok e o To Potami, ambos de centro-esquerda), que apostam num 'Sim' como forma de garantir a ajuda financeira que a Grécia desesperadamente precisa para manter o país a funcionar.

Se for este o veredito dos gregos, há uma grande probabilidade de o Governo se demitir, sendo que o ministro das Finanças já disse explicitamente que o faria, bem como o primeiro-ministro, embora de forma menos direta.

Além da derrota nas urnas, os governantes gregos teriam também de enfrentar a desconfiança dos líderes europeus, agastados com as críticas públicas de "chantagem" feitas pelos gregos.

Os 9,8 milhões de gregos inscritos nas listas eleitorais podem votar em mais de 19 mil assembleias de voto em todo o país, não havendo nem voto por correspondência nem possibilidade de os emigrantes o fazerem nos seus países de trabalho.

O Governo, para estimular a adesão à votação, aboliu o pagamento de portagens e serão praticados descontos sobre o preço dos voos domésticos e das viagens de autocarro e comboio.

De acordo com o Ministério do Interior, o custo do referendo não deverá ultrapassar os 25 milhões de euros, metade do custo das eleições de janeiro que levaram o Syriza ao poder, e os primeiros resultados com algum grau de fiabilidade deverão aparecer por volta das 21:00 locais, menos duas em Lisboa (19h).

Os eleitores gregos vão voltar às urnas 41 anos depois de em 1974 terem decidido, por esta via, abolir a monarquia e passar a República.