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“Agora o Governo português vai ter de explicar ao seu povo porque não lutou por ele”

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Bandeira portuguesa junta-se às muitas gregas nos festejos do “não” na Praça Sintagma, em Atenas, onde se festeja com frases fortes: “As pessoas quiseram dizer 'não', mesmo que fiquem sem comer”. E há observações sobre o Governo de Passos

Na Praça Sintagma há uma bandeira vermelha e verde que sobressai entre as muitas azuis e brancas. Stavros Stellas, de 60 anos, saiu à rua para festejar a vitória do "não", segurando na mão as cores de Portugal - porque os dois países, diz, atravessam o mesmo problema. "A nossa dívida é o lucro do países do norte da Europa."

Stavros ainda está incrédulo com o resultado do referendo. Mesmo ele, militante do Syriza, confessa nunca ter acreditado que fosse possível o "não" ganhar com uma margem confortável, como apontam as projecções oficiais (61%). "Foi uma vitória contra tudo e contra todos - contra os media privados, que fizeram propaganda pelo 'sim', contra os grandes empresários, contra a UE, que fez connosco uma chantagem intolerável. Mas ganhámos. As pessoas quiseram dizer 'não', mesmo que fiquem sem comer", diz, de lágrimas nos olhos.

Agora, afirma, os outros países do Sul vão ter muito em que pensar sobre a atuação que os seus governantes têm seguido até aqui. "O governo português vai ter de explicar ao seu povo porque não lutou pelos direitos das pessoas, como lutou o nosso aqui na Grécia. Vai ter de explicar porque disse que sim a tudo, porque nunca fez frente à UE."