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Julian Assange nega ter pedido asilo a França

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JUSTIN TALLIS / AFP / Getty Images

O fundador do WikiLeaks negou ter pedido asilo político ao Presidente francês depois de, na sexta-feira, o Eliseu ter divulgado um comunicado onde rejeitava o alegado pedido 

O ex-juiz espanhol Baltasar Garzón, que lidera a defesa do caso de Julian Assange, afirmou em comunicado que o fundador do WikiLeaks não preencheu qualquer pedido de asilo a França, avança o jornal "The Guardian". 

Na carta enviada a François Hollande, apenas expressou a vontade "de ser recebido em França e apenas se a iniciativa fosse tomada por parte das autoridades competentes", revela. 

"Nenhuma terminologia utilizada nesta carta para o Presidente pode ser interpretada de forma diferente", reforça ainda, acrescentando que esta constituiu apenas "uma resposta aos comentários recentes da ministra da Justiça francesa, Christiane Taubira", que é favor da concessão de asilo político ao fundador do WikiLeaks. E acusa o gabinete de Hollande de ter enviado uma resposta "com demasiada pressa" e sem cuidado de análise prévia. 

Em causa está a carta enviada na passada quinta-feira por Julian Assange - que se encontra há três anos refugiado na embaixada do Equador em Londres - ao Presidente francês (divulgada um dia depois pelo "Le Monde"), na qual o jornalista e ativista recordava as condições em que atualmente se encontra (ao estar confinado a um espaço de 5,5 metros quadrados, sem vida familiar íntima).

O australiano, que completou 44 anos na passada sexta-feira, receia ser extraditado para a Suécia (onde enfrenta acusações de violação e agressão sexual) e daí para os Estados Unidos, para ser julgado por delito de espionagem, no âmbito dos documentos relevados pelo WikiLeaks. 

“Acolhendo-me, a França realizaria um gesto humanitário, mas também provavelmente simbólico, enviando um encorajamento a todos os jornalistas e lançadores de alertas que, no mundo, arriscam a sua vida todos os dias para permitir aos seus compatriotas darem mais um passo no sentido da liberdade”, podia ler-se na referida carta, na qual o australiano acrescentava nunca ter sido "formalmente acusado de um delito ou de um crime em qualquer lugar do mundo". 

A resposta do Eliseu foi firme. “Tendo em conta os elementos jurídicos e a situação material do Sr. Assange, a França não pode dar seguimento", afirmou em comunicado, relembrando que o australianao "é alvo de um mandato de captura europeu" e que a a situação em que se encontra "não oferece perigo imediato". 

Recorde-se que esta carta de Assange foi enviada pouco depois de dois meios de comunicação social franceses terem divulgado documentos do WikiLeaks que mostram que os Estados Unidos espiaram os três últimos presidentes franceses: Jacques Chirac (1995-2007), Nicolas Sarkozy (2007-2012) e François Hollande (desde 2012).