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Tsipras quer mais que só um “não” - quer três

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Primeiro-ministro grego voltou a falar ao país

POOL / Reuters

Governo de Atenas tem feito campanha pelo “não” para o referendo de domingo e agora triplica o apelo - e explica os porquês. Tsipras diz ainda que o FMI acabou por lhe dar razão na análise que fez à dívida grega

O primeiro-ministro grego voltou a falar ao país. Alexis Tsipras reforça o braço-de-ferro entre a Grécia e os credores e pediu a povo que dê três nãos no referendo que aí vem: "Peço-vos que digam não a ultimatos, chantagens e à campanha do medo", apelou esta sexta-feira aos gregos, incentivando-o a ir às urnas com uma postura calma, realizando a sua "escolha pelo peso dos argumentos - não dos slogans". 

Em causa está o relatório do FMI sobre a sustentabilidade da dívida grega que revela que o terceiro resgate à Grécia poderá "custar" (isto se o país voltar ao caminho de implementação de reformas a negociar com os credores) pelo menos 52 mil milhões de euros nos próximos três anos. Caso contrário, a situação poderá ser ainda pior, equacionando-se a necessidade de um perdão parcial da dívida.  

O primeiro-ministro grego sublinha ainda que o relatório do FMI confirma o argumento do seu Governo de que a dívida pública não é sustentável e que, desta forma, "é um grande sinal para o Governo grego". E voltou a reforçar a necessidade de um voto no "não" no referendo deste domingo: "Um voto 'não' representa poder negocial extra nas negociações em jogo" [a este propósito, refira-se que Bruxelas pensa precisamente o oposto]. Mais uma vez, Tsipras relembra que o referendo "não irá determinar a manutenção da Grécia no euro".

Neste domingo, os gregos vão às urnas para responder à seguinte pergunta: "Deverá ser aceite o projeto de acordo que foi apresentado pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional no Eurogrupo de 25.06.2015 e que consiste em duas partes, que constituem a sua proposta unificada? O primeiro documento intitula-se 'Reformas para a Conclusão do Presente Programa e Mais Além' e o segundo 'Análise Preliminar à Sustentabilidade da Dívida'".

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