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O mirabolante plano de levar toda a população de Hong Kong para a Irlanda do Norte

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A ideia foi apresentada em 1983, na altura que estava aceso o conflito com o IRA e as tendências independentistas na Irlanda do Norte, segundo indicam documentos de arquivo agora relevados

Quando Hong Kong fosse entregue à China em 1997, os 5,5 milhões de habitantes do território poderiam ser instalados na Irlanda do Norte, de modo a revitalizar a estagnada economia local e contribuir para superar as tendências independentistas. A mirabolante ideia partiu de um sociólogo britânico e entusiasmou um funcionário público que, em 1983, a apresentou ao Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico, de acordo com documentos revelados esta sexta-feira pelos Arquivos Nacionais de Kew, em Londres.

Christy Davies, sociólogo leitor da Universidade de Reading, considerava que a população de Hong Kong não teria futuro após a entrega do território, defendendo a sua reinstalação na península irlandesa de Magilligan, entre Coleraine e Derry.

Exasperado pelas tensões em torno das tendências independentistas na Irlanda do Norte, que então originavam sangrentos atentados do IRA (Irish Republican Army, grupo paramilitar que defendia a saída da Irlanda do Norte do Reino Unido), o funcionário público George Fergusson acreditou que poderia residir ali a solução para o problema e enviou o plano para o Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico, num documento intitulado “A enumeração das mudanças da Reimplantação da Irlanda do Norte a partir de Hong Hong”, numa alusão à “implantação dos escoceses no Ulster”, levada a cabo pelo rei James I no século XVII.

A proposta não terá sido contudo levada a sério no Ministério, como indica a resposta enviada duas semanas depois, com algumas considerações em tons irónicos.

Assinada por David Snoxell, a resposta considerava que tendo em conta que os chineses de Hong eram essencialmente pescadores e pessoas marítimas, não seria sensato instalá-los nas imediações de Lough Foyle, enquanto não fosse resolvido o conflito com a República da Irlanda, relativamente à exploração marítima da região.

Ao mesmo tempo, Snoxell comentava: “A minha reação inicial, contudo, é que esta proposta poderá ser útil no sentido de que a chegada de 5,5 milhões de chineses à Irlanda do Norte poderá levar a população local a procurar o seu futuro numa terra noutro lugar”.

“Não devemos subestimar o perigo de isto dar lugar a um êxodo massivo de refugiados de barco em direção ao sudeste asiático”, acrescentou.