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Juncker avisa: posição grega fica “dramaticamente enfraquecida” se o “não” vencer

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FOTO MARTIN BUREAU/AFP/GETTY

Bruxelas renova os apelos para que os gregos votem “sim” no referendo de domingo, alertando para as consequências dos resultados na negociação com os credores  

A menos de 48 horas do referendo, Bruxelas volta a apelar aos  gregos para dizerem "sim" à Europa, alertando que a posição negocial de Atenas sairá fragilizada em caso de resposta negativa. "Se os gregos votarem 'não' a posição negocial fica dramaticamente enfraquecida", declarou esta sexta-feira o presidente da Comissão Europeia.

Jean-Claude Juncker foi breve nas palavras. Questionado pelos jornalistas sobre os cenários possíveis depois do referendo, o presidente repetiu sempre a mesma ideia: o "não" enfraquece a posição negocial grega. "O programa acabou. Não há negociações em curso. Se os gregos votarem 'não' terão apenas enfraquecido a posição. A posição grega fica dramaticamente enfraquecida com o voto negativo. Mesmo no caso de um voto no 'sim', vamos ter de enfrentar negociações dificeis", acrescentou.

A mesma tese já tinha sido avançada pelo vice-presidente da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis, numa entrevista publicada esta quinta-feira pelo jornal alemão "Die Welt": "É errado pensar que o 'não' reforçará a posição negocial da Grécia. Será precisamente o contrário. O povo helénico vai enviar um sinal para o resto da Europa", afirma Valdis Dombrovskis à publicação germânica.

O responsável acusa também o referendo de ser incorreto do ponto de vista "factual" e "legal"- à semelhança do que já tinha afirmado o secretário-geral do Conselho da Europa, Thorbjorn Jagland -,  frisando que a consulta popular foi agendada quando o resgate ao país estava prestes a terminar. "Mesmo que as negociações sejam retomadas dentro de poucas semanas com vista a um terceiro resgate, o principal fator de incerteza é se conseguimos alcançar um acordo em termos políticos", insistiu.

Garantindo que a Comissão Europeia está a trabalhar no sentido de alcançar em breve um acordo com a Grécia, Valdis Dombrovskis admite porém que era preferível ter-se prolongado o resgate. "Agora devemos concentrar-nos a resolver o problema em vez de enfrentarmos cenários piores", conclui. 

Esta tese de Bruxelas é exatamente oposta à defendida pelo governo helénico. Ainda na quarta-feira, quando Alexis Tsipras falou ao país apelou ao voto no “não”, garantindo que isso poderá fortalecer a posição do país nas negociações com as instituições credoras,

“O "não" não significará um corte com a Europa, mas o regresso aos valores europeus, criando pressão para uma solução mais justa, que recaia sobre os que mais têm e não sobre os reformados. Isto é um passo necessário com vista a um acordo que esperamos assinar depois de domingo”, declarou o primeiro-ministro grego num discurso transmitido na televisão estatal.

No mesmo dia, Yanis Varoufakis sustentava também no seu blogue que a vitória do "não" no referendo permitá "renegociar a dívida pública grega, assim como a distribuição nos encargos entre quem os tem e os que não têm".

O Conselho de Estado da Grécia está reunido esta manhã em Atenas, devendo pronunciar-se em breve sobre a legalidade do referendo.