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Hollande recusa asilo ao fundador do WikiLeaks

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Na carta enviada a Hollande, Assange escreve que vive há três anos numa embaixada modesta (do Equador, instalada num apartamento em Londres) e sem grandes meios logísticos, que reside em 5,5 metros quadrados “sem vida familiar nem íntima”

FACUNDO ARRIZABALAGA /EPA

“Non”. Foi através de um comunicado de cinco linhas que a presidência francesa recusou, a meio da manhã desta sexta-feira, o pedido de asilo feito por Julian Assange, que era apoiado pela ministra socialista da Justiça

Julian Assange, que continua refugiado na embaixada do Equador em Londres, escreveu há dias uma longa carta ao Presidente francês. Na missiva dirigida a François Hollande e na qual pedia asilo político à França, o fundador do Wikileaks diz-se ameaçado de morte, perseguido pelos Estados Unidos e abandonado pelo seu país de nascimento, a Austrália.

O pedido de asilo, designadamente em nome da liberdade de imprensa, foi apoiado por diversas personalidades francesas ligadas à política, à imprensa e à cultura, incluindo a ministra socialista da Justiça, Christiane Taubira. 

O Palácio do Eliseu respondeu na manhã desta sexta-feira de forma quase telegráfica aos argumentos de Assange. “Tendo em conta os elementos jurídicos e a situação material do sr. Assange, a França não pode dar seguimento. A situação do sr. Assange não apresenta perigo imediato. Além disso, ele é objeto de um mandado de detenção europeu”, lê-se no lacónico comunicado da presidência francesa.

"Sou um jornalista ameaçado de morte"
Na sua extensa carta dirigida ao chefe do Estado francês, Julian Assange, de 44 anos, começa por dizer quem é: “Sou um jornalista perseguido e ameaçado de morte pelas autoridades dos Estados Unidos devido à minha atividade profissional”. 

Descreve a seguir longamente o que tem feito o WikiLeaks, que fundou: as revelações, em 2010, sobre massacres de civis no Iraque, bem como as seguintes, designadamente sobre a espionagem americana de países aliados, incluindo a França e as escutas a François Hollande.

Sublinha igualmente Assange as perseguições e ameaças de que ele e outros colaboradores do WikiLeaks continuam a ser alvo. Na carta, acrescenta que vive há três anos (desde junho de 2012) numa embaixada modesta (do Equador, instalada num apartamento em Londres) e sem grandes meios logísticos, que reside em 5,5 metros quadrados “sem vida familiar nem íntima”, e pede asilo à França em nome da defesa da liberdade de imprensa e igualmente por razões humanitárias. 

“Acolhendo-me, a França realizaria um gesto humanitário, mas também provavelmente simbólico, enviando um encorajamento a todos os jornalistas e lançadores de alertas que, no mundo, arriscam a sua vida todos os dias para permitir aos seus compatriotas darem mais um passo no sentido da liberdade”. 

O Eliseu respondeu-lhe negativamente, em cinco linhas.

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