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Varoufakis demite-se se o “sim” vencer

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YANNIS BEHRAKIS / Reuters

Ministro grego concedeu duas entrevistas relevantes: numa assume que sairá se o referendo der “sim” , na outra vai mais longe - é o Governo inteiro que poderá fazer como ele. Executivo grego acredita que terá palavra negocial mais forte se o “não” vencer

A pergunta aconteceu assim: "Se houver uma vitória do 'sim' no domingo, não será ministro das Finanças na segunda-feira?". A resposta é lacónica, sem rodeios: "Não serei".

Foi numa entrevista à Bloomberg que Varoufakis explicou o que deixará de ser se o povo grego optar maioritariamente pelo caminho que o Governo não defende. É que Tsipras e Varoufakis estão a fazer campanha pelo "não" em resposta a esta pergunta, que vai ser colocada no domingo: "Deverá ser aceite o projeto de acordo que foi apresentado pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional no Eurogrupo de 25.06.2015 e que consiste em duas partes, que constituem a sua proposta unificada? O primeiro documento intitula-se 'Reformas para a Conclusão do Presente Programa e Mais Além' e o segundo 'Análise Preliminar à Sustentabilidade da Dívida'".

Mais. Numa outra entrevista, à rádio australiana ABC, Varoufakis diz que será o Governo inteiro a cair se o "sim triunfar". "Poderemos demitir-nos, mas com um espírito de cooperação com aqueles que nos sucederem."

Facto é que a entrevista de Varoufakis à Bloomberg TV é mais cautelosa que a concedida à ABC. No caso da Bloomberg, Varoufakis preferiu não tecer comentários sobre o futuro do governo grego - optou por sublinhar que será ele a demitir-se caso vença  o "sim".

Varoufakis acredita que será possível encontrar uma solução para o país após o referendo deste domingo. "Acreditamos que o veredito do povo deve ser respeitado e que nada está acabado, pelo que as negociações serão retomadas após o referendo."

Varoufakis e Tsipras já sustentaram que o "não", caso seja a opção maioritária do povo, reforça o poder negocial do governo grego junto dos credores. Esse tem sido o argumento utilizado pelos governantes de Atenas para justificarem o apelo ao "não".

O ministro grego das Finanças assegurou à Bloomberg que a Grécia quer manter-se na zona euro, sendo que a rejeição da austeridade imposta pelos credores deverá dar lugar a um acordo com bases mais benéficas para o país. "Nós queremos desesperadamente ficar no euro. Vamos vencer no domingo", acrescentou.

Os ministros das Finanças da zona euro decidiram quarta-feira que as negociações com Atenas estão interrompidas até ao referendo: "Não voltaremos a falar nos próximos dias, nem ao nível do Eurogrupo, nem entre as instituições gregas e os credores, sobre as propostas ou sobre eventuais empréstimos. Limitamo-nos a esperar pelo resultado do referendo de domingo", anunciou o líder do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, após uma reunião por teleconferência.

O primeiro-ministro grego confirmou quarta-feira, numa declaração ao país, que o referendo vai mesmo realizar-se no domingo, dizendo que a vitória do "não" não significará um corte com a Europa, mas o regresso aos valores europeus".