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Referendo na Grécia. Crescem os apelos ao "Sim"

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Entre membros do partido de coligação Gregos Independentes e antigos primeiros-ministros há cada vez mais apelos ao voto a favor do plano apresentado pelos credores 

As divergências não são de hoje e tão pouco são de estranhar. Tratam-se de extremos opostos: um partido de esquerda radical e outro nacionalista de direita. O Syriza e os Gregos Independentes (Anel) só aceitaram mesmo unir-se para formarem governo contra a troika, após as eleições do passado dia 25 de janeiro. Esta quinta-feira, a menos de quatro dias para a realização de um referendo que decidirá o futuro do país, o parceiro de coligação Gregos Independentes parece obrigado a unir-se na campanha do "não" contra mais austeridade, mas há alguns membros do partido que já anunciaram que não vão respeitar a disciplina de voto.

"Não há nenhuma razão para um referendo em tais condições de polarização, com o povo grego chamado a decidir 'sim' ou 'não' sobre uma proposta apresentada pelas instituições, uma que o próprio governo já tinha aceitado como base para a continuação de negociações",  declarou Dimitris Kammenos, citado pelo "ThemaNews".

O deputado Vassilis Kokkalis defendeu que que os cidadãos e os políticos deverão ter consciência das implicações da vitória do 'não' no referendo, enquanto Kostas Damavolitis considerou que a consulta popular servirá para decidir se o país deve continuar na zona euro ou se regressa a ter o dracma como moeda oficial.  "Apelo ao Presidente grego, Prokopis Pavlopoulos, para convocar uma reunião com o conselho líderes partidários para cancelar o referendo", disse Kostas Damavolitis. 

A deputada Larissa Kokkalis sustentou, por sua vez, que se o vitória do "sim" à proposta apresentada pelos credores colocará um ponto final nas incertezas. "No domingo quando eu votar no referendo terei a certeza que não haverá já controlo de capitais", sinalizou.

Além destes quatro deputados do partido Gregos Independentes também alguns ex-chefes do Executivo helénico já anunciaram que vão votar a favor da proposta apresentada pelas instituições credoras. É o caso do anterior primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, da Nova Democracia, que antecipa um cenário catastrófico para a Grécia, caso o país saia da zona euro. 

"Nós não queremos deixar Tsipras a trazer-nos de volta o dracma. Isso seria um desastre. mataria a economia e também a esperança do povo grego", defendeu Samaras.

Também Kostas Karamanlis, que liderou o Executivo helénico entre 2004 e 2009, já advertiu que a vitória do "não" será o "primeiro passo para a saída do país da zona da moeda única".