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Nem “sim” nem “não”. Comunistas apelam a gregos para anular boletim de voto

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ARMANDO BABANI / EPA

Partido Comunista grego (KKE), que saiu à rua, disponibilizou um boletim alternativo para os gregos depositaram na urna de voto, este domingo. “Contará como um voto nulo, mas pelo menos expressámos o nosso ponto de vista”

Os comunistas gregos distanciam-se da polarização entre o sim e o não à proposta dos credores internacionais que vai a referendo no domingo e que dividiu a Grécia na última semana. O KKE, que nas eleições de janeiro obteve 5,5% dos votos e 15 lugares no Parlamento helénico, rejeita a troika, mas também o Governo de Alexis Tsipras. O partido saiu à rua esta quinta-feira para apelar ao povo para rasgar o boletim de voto.

Ao início da noite, milhares de bandeiras vermelhas pintadas com a foice e o martelo encheram a praça Sintagma, palco de quase todas as manifestações em Atenas. Em vez de sim ou não, os comunistas dizem não e não. É isso mesmo que está escrito no boletim de voto alternativo que o partido disponibiliza na internet e que pede aos gregos para imprimir e depositar na urna na consulta popular deste domingo.

"NÃO à proposta da União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional; NÃO às propostas do Governo. Saída da UE e classe trabalhadora ao poder", diz o documento que muitos manifestantes já traziam na mão. 

"No momento de votar vamos rasgar o boletim e, em vez desse, vamos fechar no envelope o nosso próprio documento e depositá-lo na urna. Contará como um voto nulo, mas pelo menos expressámos o nosso ponto de vista. Porque não existem apenas as duas opções que vão a referendo. Ambas vão resultar na destruição dos direitos das classes trabalhadoras. A nossa alternativa é a saída imediata da União Europeia e a criação de um Governo do povo", explica Eftichia, economista de 34 anos, uma das poucas manifestantes que aceitou falar, numa concentração onde a maioria parecia olhar os jornalistas com desconfiança.

O KKE defende a saída da União Europeia e do euro, que diz só "beneficiar os ricos", mas não advoga necessariamente um retorno ao dracma. "Enquanto se mantiver o sistema capitalista, não interessa a moeda com que vamos contar a pobreza do povo", diz Eftichia.

      

JEAN-PAUL PELISSIER / Reuters

 

Thanos Drimalas, reformado de 63 anos, resume o projeto do partido: "A única solução é a saída da União Europeia, o não pagamento da dívida - porque a dívida não é do povo - e a criação de uma economia socialista, em que as empresas ficam sob o controlo dos trabalhadores. Só com estas três medidas, tomadas em simultâneo, podemos sair desta espiral de crise que está a matar a Grécia."

Em cima de um palanque, ao megafone, um dirigente do partido repete o discurso, que ecoa em toda a praça Sintagma, onde dezenas de vendedores ambulantes de frutos secos, maçarocas de milho e kebab montaram bancas para tentar fazer negócio com as sucessivas manifestações dos últimos dias.

Um deles revira os olhos e abana a cabeça ao ouvir o discurso do líder comunista. "É uma gente complicada. Não querem nem o sim nem o não. O que querem mesmo é que isto seja a Rússia", desabafa.

Sexta-feira, último dia de campanha, os defensores das duas únicas alternativas que vão constar do boletim de voto oficial manifestam-se à mesma hora e a uma curta distância uns dos outros. Os apoiantes do "não" vão concentrar-se na praça Sintagma, enquanto os do "sim" estarão no parque Lofos Ardittou, a menos de um quilómetro.   

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