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As contas do FMI: Grécia poderá custar mais €52 mil milhões ou até um perdão parcial da dívida

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JULIEN WARNAND / EPA

Relatório faz as contas de um terceiro resgate e diz que, aconteça o que acontecer, a “dívida pública [grega] permanecerá em níveis muito elevados ao longo de décadas e altamente vulnerável a choques”

O FMI analisou e concluiu: a dívida pública da Grécia é insustentável, é necessária uma extensão das maturidades para reverter essa tendência (alívio do peso da dívida) e é preciso o regresso ao caminho de implementação de reformas negociadas com os credores. Se tudo isso falhar, então terá de haver um perdão parcial da dívida.

O relatório data de 26 de junho - o mesmo dia em que Tsipras anunciou a realização do referendo que aí vem -, mas foi divulgado esta quinta-feira.  "Em cima de uma já muito elevada dívida, as novas necessidades de financiamento tornam a dinâmica da dívida pública insustentável", revela o FMI, sublinhando a necessidade de o país voltar à trajetória definida pelos credores europeus. Caso contrário, "se o pacote de reformas for ainda mais enfraquecido, em particular através de uma redução das metas de excedentes orçamentais primários ou de reformas menos robustas, será necessário o perdão da dívida".

A instituição liderada por Christine Lagarde concluiu que as necessidades de financiamento da Grécia vão chegar a quase 52 mil milhões de euros entre outubro de 2015 e o final de 2018, caso o país não implemente as reformas acordadas com os credores. Destes, cerca de 36 mil milhões de euros têm de ser providenciados pelos Estados-membros da União Europeia. No entanto, mesmo que a Grécia regresse a uma trajetória de crescimento e à aplicação das reformas dos credores, o apoio dos parceiros europeus deverá ser alargado "significativamente".  

O FMI concluiu ainda que, mesmo assumindo que o terceiro resgate à Grécia é aprovado pelos credores europeus, "a dívida pública permanecerá em níveis muito elevados ao longo de décadas e altamente vulnerável a choques", estimando que esta fique em 150% do PIB em 2020.  

Em maio de 2014, na última análise do FMI à dívida pública grega, a instituição de Christine Lagarde considerou que esta "estava a regressar ao caminho da sustentabilidade", embora "altamente vulnerável a choques".  

Numa altura em que as negociações entre credores e Governo grego foram adiadas para depois do resultado do referendo do próximo domingo, os responsáveis do FMI relembram que - desde que o relatório foi elaborado - já muito aconteceu na Grécia: o setor bancário foi encerrado, o controlo de capitais aplicado e o prazo para a Grécia pagar a tranche de cerca de 1.500 milhões de euros ultrapassado. Acontecimentos que, como sublinham, podem ter um impacto ainda mais adverso na economia grega.