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Tsipras mantém referendo e culpa a Europa pelo caos na Grécia

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Tsipras diz que é “inaceitável” ver imagens destas e culpa a Europa por ser assim. A fotografia mostra uma pensionista a ser esmagada à fila de um banco para tentar receber parte da sua pensão - algumas agências bancárias abriram para que os reformados que não têm cartão multibanco possam levantar dinheiro, até um máximo de 120 euros. As filas e o caos multiplicaram-se

ALKIS KONSTANTINIDIS / Reuters

Primeiro-ministro grego falou ao país. Disse que o referendo avança mesmo, quer que o povo vote “não” e culpa a Europa pelas imagens de pensionistas desesperados à porta dos bancos. “É inaceitável que numa Europa de solidariedade e respeito mútuo existam imagens destas”

Joana Pereira Bastos e Kostas Gialitakis, em Atenas [com Liliana Coelho]

O primeiro-ministro grego Alexis Tsipras confirmou esta quarta-feira a realização do referendo no próximo domingo e acusou os credores de estarem a chantagear o país para “dizer sim a tudo”.

“As sirenes da desgraça são fortíssimas. O povo está a ser chantageado para dizer sim a tudo”, afirmou Tsipras numa declaração ao país, garantindo que “o Governo vai permanecer na mesa das negociações até ao fim para conseguir melhores condições para a Grécia”.

O primeiro-ministro reiterou que uma vitória do “não” no referendo convocado para 5 de julho “não significa a rutura com a Europa” e assegurou que a vontade do Executivo “é permanecer no euro”. “Os que dizem que o governo tem um plano secreto para tirar o país da zona do euro mentem”, garantiu.

Tsipras voltou a apelar ao voto no “não”, considerando que só isso poderá fortalecer a posição do país nas negociações com os credores internacionais, criando pressão “para uma solução mais justa, que recaia sobre os que mais têm e não sobre os reformados”.

“O 'não' não significará um corte com a Europa, mas o regresso aos valores europeus. Isto não é apenas um slogan, é um passo necessário com vista a um acordo que esperamos assinar depois de domingo”, declarou Tsipras num discurso transmitido pela televisão estatal.

ALKIS KONSTANTINIDIS / Reuters

Negando que o seu Governo tenha um plano para a saída da Grécia do euro, o primeiro-ministro grego garantiu que o objetivo é alcançar uma solução viável com os credores, após a consulta popular. “Eu nunca esperei que uma Europa democrática não desse tempo, nem espaço para um referendo. A democracia tem que ser respeitada, a vontade dos povos dentro da União Europeia tem que ser respeitada”, insistiu Alexis Tsipras, frisando que desde que o referendo foi anunciado melhores propostas foram colocadas sobre a mesa.

O governante helénico lamentou as imagens que têm sido mostradas ao mundo com filas de pensionistas às portas de bancos, defendendo que o sistema financeiro foi levado à asfixia por cíiculos de conservadores extremistas. “É inaceitável que numa Europa de solidariedade e respeito mútuo existam imagens destas, com filas junto a bancos”, apontou. 

Sustentando que as medidas de austeridade não conduziram a bons resultados na Grécia, Tsipras realçou que a responsabilidade deve ser partilhada e que também por isso o país deve continuar nas negociações com os credores.  

O primeiro-ministro apelou ainda à calma, assegurando que o controlo de capitais é temporário e que os depósitos dos gregos estão salvaguardados. “Agradeço de coração a vossa calma neste momentos difíceis. Esta situação não vai arrastar-se e os depósitos não serão perdidos. Assumo pessoalmente a responsabilidade de encontrar uma solução imediata e peço que todos digam não aos memorandos que destroem a Europa”, afirmou.

 

[notícia atualizada às 16h14]