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Tsipras cedeu, Alemanha diz que ainda não é sério

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YANNIS BEHRAKIS / Reuters

Em mais um volte-face, Tsipras escreveu a Bruxelas a dizer que aceitava a proposta dos credores que foi apresentada no domingo, mas com algumas emendas. Schäuble responde: documento enviado pelo primeiro-ministro grego “não constitui qualquer base de medidas sérias”. Merkel também já reagiu

Do lado alemão continua o braço de ferro com a Grécia. Wolfang Schäuble já reagiu à carta enviada  esta noite por Atenas às instituições, sublinhando que falta "clareza" no documento" e que este "não constitui qualquer base de medidas sérias" para prosseguir a negociação: "Aceitar algo, ou rejeitar algo já não existe, uma vez que o programa de resgate já terminou", afirmou o ministro germânico das Finanças.

Angela Merkel reiterou que não se pronunciará sobre a nova proposta da Grécia até ao referendo do próximo domingo. "Os gregos vão votar num referendo e estão no seu direito. Repito que a porta está sempre aberta para as negociações com o governo helénico", declarou a chancelar alemã esta manhã no parlamento, em Berlim, realçando que a zona euro não deve estar alarmada com o risco de contágio da crise grega.

Por outro lado, uma fonte europeia disse à Reuters que o documento enviado pelo primeiro-ministro grego aos credores contém "aspetos que difícilmente serão aceites pelos ministros das Finanças da zona euro".

Em Bruxelas, Jean-Claude Juncker preferiu remeter-se ao silêncio sobre o novo passo do governo helénico: "Se eu quisesse falar da Grécia tinha convocado uma conferência de imprensa sobre a Grécia", disse esta manhã aos jornalistas o presidente da Comissão Europeia.

O vice-presidente da Comissão, Valdis Dombrovskis, sublinhou apenas que "o primeiro programa acabou e agora é preciso discutir um novo", alertando para o agravamento da conjuntura da Grécia. "Agora é claro que a situação na Grécia, especialmente a situação financeira é substancialmente pior do que era no último sábado. Esta é uma situação mais complicada de resolver agora", declarou Valdis Dombrovskis, sugerindo que as condições do novo programa terão de ser ajustadas e podem ser mais duras, tal como admitira ontem o líder do Eurogrupo.

Tsipras vai falar ao país
Entretanto, o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras deverá fazer uma declaração ao país que estava inicialmente marcada para as 13h30, segundo o jornal "Kathimerini".

Numa altura em que se especula se o referendo - agendado para o próximo dia 5 de julho  -poderá vir a ser cancelado, o secretário-Geral do Conselho da Europa, Thorbjorn Jagland, acusou a consulta popular na Grécia de não cumprir os padrões internacionais. "O referendo grego foi agendado com pouca antecedência, o que constitui em si o maior problema. Além do facto das questões que são colocadas não serem muito claras", declarou o responsável à AP. 

Na terça-feira, Angela Merkel já tinha feito saber que não se pronunciaria sobre a anterior proposta grega - que pedia a extensão por dois anos do programa de resgate, recorrendo aos fundos do Mecanismo Europeu de Estabilidade -, antes da realização do referendo do próximo dia 5 de julho. 

O vice-chancelar germânico Sigmar Gabriel foi, por sua vez, mais longe, defendendo que as negociações com a Grécia só deverão avançar se o país cancelar a consulta popular marcada para domingo. "Não vi nada por escrito, mas a melhor coisa seria Tsipras cancelar o referendo", afirmou Sigmar Gabriel citado pelo jornal "Die Welt".

Dentro do próprio Syriza há vozes que questionam o referendo e defendem a continuação do diálogo com os credores, como o vice-primeiro ministro grego das Finanças, Dimitris Mardas, e o eurodeputado Stelios Kouloglou.

Na carta enviada na noite de terça-feira por Tsipras a Christine Lagarde, Jean-Claude Juncker e Mario Draghi não há qualquer referência ao referendo do próximo dia 5 de julho. 

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