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Tsipras cede e aceita proposta dos credores, mas com emendas

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FRANCOIS LENOIR / Reuters

Primeiro-ministro grego recua e escreve uma carta aos credores, a dizer que aceita o acordo apresentado. Mas propõe "emendas, acrescentos e clarificações" 

Há nova luz ao fundo túnel. O primeiro-ministro grego enviou na noite de terça-feira uma carta aos líderes da Comissão Europeia (CE), Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI), a anunciar que aceitará a proposta apresentada pelos credores no dia 28 de junho, caso aceitem algumas alterações. 

"A República helénica está preparada para aceitar este acordo sujeito às seguintes emendas, acrescentos ou clarificações, como parte de uma extensão do Programa de Assistência Económica e Financeira e do Novo Mecanismo Europeu de Estabilidade pelo qual foi solicitado ontem um pedido, no dia 30 de junho", pode ler-se no documento divulgado pelo "Financial Times".

"Como poderão constatar, as nossas emendas são concretas e respeitam totalmente a robustez e a credibilidade de todo o programa", acrescenta Tsipras.

Em reação, o ministro alemão das Finanças, Wolfang Shäuble, já proferiu comentários sobre esta carta, sustentando que "não contém medidas sérias" para prosseguir a negociação. Merkel reiterou por seu lado que não se pronunciará sobre a nova proposta grega até ao referendo do próximo domingo.

Entre as cedências, o governo grego propõe-se a aceitar todas as alterações ao IVA propostas pelos credores, exigindo apenas a manutenção do desconto especial de 30% nas taxas aplicadas às ilhas gregas. A nível das pensões, o político grego solicita que a subida da idade da reforma para os 67 anos só entre em vigor em outubro, colocando também como condição a atribuição de um "subsídio de solidariedade" para os pensionistas mais pobres.

Entre outras medidas, a carta refere que a reforma laboral deverá ser legislada no outono, enquanto a despesa no sector da Defesa será reduzida em 200 milhões de euros em 2016 e em 400 milhões no ano seguinte. 

Como sublinha Peter Spiegel, correspondente do "Financial Times" em Bruxelas, a extensão do programa já não deve ser uma hipótese, uma vez que o resgate terminou à meia-noite desta quarta-feira, devendo esta carta abrir a porta a um terceiro resgate.