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Não, não, não, não, não e não. Varoufakis tem um argumento para cada um destes “não”

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MARKO DJURICA / Reuters

Ministro das Finanças grego apresentou esta quarta-feira no seu blogue as razões pelas quais o governo de Atenas apela ao “não” no referendo de domingo. E enumera seis argumentos

Raquel Pinto

Raquel Pinto

Jornalista

No primeiro ponto, Varoufakis diz que as negociações estão paralisadas porque os credores da Grécia "recusaram-se a reduzir a nossa dívida pública impagável". E mais: "insistiram que ela deverá ser reembolsada parametricamente pelos membros mais vulneráveis da nossa sociedade, os seus filhos e netos".

O ministro das Finanças grego prossegue, sustentando a posição do governo grego no apelo ao voto no "não" pelo facto de "acreditarem" numa reestuturação da dívida. Uma ideia que é defendida não só pelo "FMI e o governo dos EUA e muitos outros ao redor do globo", bem como pela "maioria dos economistas independentes", assinala.

A terceira razão prende-se com as iniciativas do Eurogrupo. "Admitiu anteriormente (novembro de 2012) que a dívida deveria ser reestruturada, mas está a rejeitar comprometer-se com uma reestruturação da dívida".

Varoufakis insiste, numa quarta razão, que "desde o anúncio do referendo", as instituições europeias enviaram "sinais" de que estão prontas para discutir a reestruturação da dívida. Para o ministro, esses sinais "mostram que também votariam 'não' à sua própria oferta final".

Em linha com o discurso desta quarta-feira do primeiro-ministro Alexis Tsipras, Varoufakis garante, num quinto argumento, que "a Grécia permanecerá no euro" e os depósitos naquele país "estão seguros".

"Os credores escolheram uma estratégia de chantagem baseada no encerramento dos bancos", sustenta, acrescentando ainda: "O impasse atual deve-se a esta escolha dos credores e não ao facto de o governo grego ter interrompido as negociações ou a qualquer pensamento de um Grexit [saída da Grécia da zona euro] ou de desvalorização". Varoufakis assegura também que "o lugar da Grécia na zona euro e na União Europeia "não é negociável".

O ministro encerra com uma perspetiva quanto ao futuro. Esse futuro, defende, "exige uma Grécia orgulhosa no seio da zona euro e no coração da Europa" e "exige que os gregos digam 'não' no domingo, que nos mantenhamos na zona euro, e, com o poder que nos for dado pelo 'não', renegociaremos a dívida pública grega, assim como a distribuição nos encargos entre quem os tem e os que não têm".