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Internacional

Mais dois soldados franceses suspeitos de pedofilia em África

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Novo caso de pedofilia, agora no Burkina Faso, com soldados franceses. As autoridades francesas não tentaram abafar este escândalo, como aconteceu num caso anterior, denunciado pela ONU, ocorrido na República Centro-Africana

Desta vez, foi imediata a reação do Governo de Paris às denúncias de abusos sexuais, cometidos nos últimos dias, sobre duas crianças por parte de dois soldados franceses da missão antiterrorista Barkhane, no Burkina Faso. 

Existe uma gravação vídeo que envolverá claramente os dois militares no abuso de uma das crianças, de cinco anos de idade. Os soldados implicados foram suspensos e foi apresentada queixa à Justiça, tanto em França como naquele país africano. 

“Há um soldado que filmou a cena enquanto o segundo tocava numa menina”, escrevem diversos jornais franceses, citando fontes póximas do processo. Os soldados eram amigos dos pais de uma das crianças abusadas e esqueceram-se da câmara de filmar no local. Depois de ter visto o filme, o pai da menina foi queixar-se à embaixada de França, que pelo seu lado apresentou queixa contra os soldados.

Trata-se do segundo caso recente de pedofilia implicando militares franceses em missão antiterrorista em África. O primeiro, ocorrido na República Centro-Africana (RCA), é mais complicado porque a França tentou abafá-lo durante vários meses, apesar de as Nações Unidas o terem denunciado num relatório que as autoridades francesas conheciam. 

De acordo com a ONU, 14 soldados franceses da operação Sangaris teriam violado crianças refugiadas num campo de deslocados na RCA, muitas vezes em troca de dinheiro e de alimentos, entre fim de 2013 e junho de 2014.

As autoridades francesas apenas reagiram depois de revelações da imprensa, mas tinham conhecimento há vários meses das acusações da ONU. Além de franceses, estão igualmente implicados nas agressões sexuais na RCA soldados do Chade e da Guiné-Conacri.

Depois do escândalo na RCA ter sido revelado, foram abertas investigações oficiais e o Presidente François Hollande anunciou que seria “implacável” se as acusações fossem provadas. 

O mesmo disse agora o ministro da Defesa francês, Jean-Yves Le Drian, sobre o novo caso de pedofilia no Burkina Faso. “Se forem provados os factos, as Forças Armadas serão implacáveis com as duas pessoas envolvidas”, garante o governante.