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Emails de Hillary Clinton revelam preocupação na relação com Obama

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STEPHEN LAM/REUTERS

“Eu cheguei às 10h15 para a reunião (na Casa Branca) e foi-me dito que não haveria reunião (…) É a segunda vez que isto acontece. O que se passa?”, escreveu Hillary Clinton, num dos emails de 2009 agora revelados

Hillary Clinton esforçou-se por não ser relegada para um plano secundário dentro da administração de Barack Obama, após ter sido nomeada como secretária de Estado em 2009, de acordo com com os emails que trocou nesse ano com os seus conselheiros e agora tornados públicos.

“Eu cheguei às 10h15 para a reunião (na Casa Branca) e foi-me dito que não haveria reunião (…) É a segunda vez que isto acontece. O que se passa?”, escreve Hillary numa mensagem de correio eletrónico.

O departamento de Estado revelou na noite desta terça-feira (madrugada em Lisboa) cerca de 3000 páginas da correspondência eletrónica de Hillary Clinton desse primeiro ano em que exerceu funções no cargo. Trata-se de uma primeira tranche das 55 mil páginas dos seus emails de 2009, que vão ser revelados mensalmente até 29 de janeiro de 2016.

Os documentos foram entregues no ano passado, cerca de dois anos depois de ter abandonado o cargo, devido à polémica gerada por ter usado a sua conta pessoal de email para assuntos de Estado. Mas antes, porém, Hillary apagou cerca de 30 mil emails alegadamente relativos a assuntos do foro estritamente pessoal.

Apenas ela e provavelmente um restrito grupo de conselheiros conhecem o conteúdo dessas comunicações não facultadas.

“Eu ouvi na rádio que há uma reunião do gabinete esta manhã? Há? Posso ir eu? Caso não possa, quem vamos nós enviar?”, escreveu noutra das mensagens.

Departamento diz que emails não mudam factos fundamentais sobre ataques que viriam a ter lugar em Benghazi
Clinton trocou correspondência com diversos antigos assessores do seu marido, o ex-Presidente Bill Clinton. Entre eles encontram-se Sidney Blumenthal, antigo redator dos discursos da Casa Branca, Sandy Berger, antigo conselheiro de segurança nacional, e Mark Penn, que foi conselheiro tanto de Bill Clinton como de Hillary, quando esta concorreu em 2008 às primárias do Partido Democrata contra Obama.

Quando a administração Obama estava a rever a sua política para o Afeganistão, Penn enviou-lhe um email aconselhando-a a não ignorar a ameaça que os talibãs representavam.

Separadamente, o departamento de Estado forneceu terça-feira mais 3600 páginas de documentos ao comité, liderado pelos republicanos, que está a investigar ataques os mortais que vitimaram altos diplomatas norte-americanos em Benghazi (Líbia), em 2012, entre os quais os emails trocados com Susan Rica, a então embaixadora norte-americana nas Nações Unidas.

Numa carta ao comité, o departamento considera que “tendo em conta os materiais produzidos relacionados com o inquérito, nós não acreditamos que eles irão mudar os factos fundamentais sobre os ataques em Benghazi”.

A revelação destes emails ocorre na altura em Hillary Clinton está novamente na corrida às primárias dentro do seu partido, para ser candidata pelos democratas nas eleições presidenciais de 2016.