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Internacional

135 mil imigrantes chegaram à Europa em seis meses

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Mais de 135 mil pessoas chegaram à Europa em barcos, pelo Mediterrêaneo, nos primeiros seis meses do ano

ANTONIO PARRINELLO/REUTERS

Os últimos dados revelados pelo ACNUR, esta quarta-feira, indicam que no primeiro semestre deste ano chegaram à Europa mais 80% de imigrantes do que em igual período de 2014. E nos meses de verão deverão registar-se novos picos nas chegadas 

Mais de 135 mil refugiados e imigrantes entraram na Europa pelo Mediterrâneo, nos primeiros seis meses do ano, indica um relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). Arriscaram a travessia mais 80% de pessoas que em igual período de 2014, quando foram registadas 75 mil entradas.


"Pessoas desesperadas recorrem a medidas desesperadas e infelizmente... os números devem continuar a subir", avisou o porta-voz da ACNUR, Brian Hansford. 


O relatório indica ainda que os países do sul da Europa são os mais atingidos pela imigração em massa, numa altura em que os membros da UE permanecem divididos sobre o que fazer perante o êxodo migratório para o velho continente.  


A Grécia, também a braços com uma grave crise da dívida, foi um dos países onde chegaram mais imigrantes vindos das costas africanas no primeiro semestre de 2015. 


Um terço dos requerentes de asilo têm passaporte sírio, um país imerso numa guerra civil desde 2011, que se agrava dia após dia, com a população dizimada por um lado pelos bombardeamentos do regime do Presidente Bashar al-Assad, e por outro com as execuções sumárias levadas a cabo por terroristas do autoproclamado Estado Islâmico.  
 
Sírios são um terço dos imigrantes 
Na primeira metade do ano, cerca de 44 mil sírios entraram na Europa pelas costas grega e italiana. A Eritreia e o Afeganistão são, respetivamente, o segundo e terceiro maiores países de origem dos imigrantes. 


Matteo Renzi, primeiro-ministro de Itália, um dos países mais afetados pela migração em massa de cidadãos, na sua maioria africanos em situação ilegal, repreendeu os seus homólogos europeus por não terem chegado a acordo para acolherem os 40 mil requerentes de asilo que ainda se encontram em Itália e na Grécia. 


"À medida que aumentam as chegadas, a capacidade e condições de acolhimento permanecem seriamente inadequadas", alertou Hansford, que chama a atenção para o facto de este ser "um problema regional que necessita de uma resposta regional e da solidariedade regional". 


O relatório indica igualmente que o aumento da ajuda financeira da UE às operações de resgate e salvamento no Mediterrâneo resultou num decréscimo do número de mortos no mar em maio e junho deste ano.  
Em maio, o número de refugiados e migrantes afogados ou desaparecidos no mar caiu para 68 (um quarto dos 226 registados em igual período de 2014). Em junho, morreram 12 pessoas comparadas com as 305 mortes em período homólogo de 2014. 
 
Início de ano negro 
No entanto, o início do ano foi bem mais negro. Entre janeiro e março, 479 morreram ou desapareceram no mar, muito acima dos 15 mortos registados nos primeiros três meses de 2014.  


Em abril, uma série de naufrágios no Mediterrâneo - numa só embarcação naufragada a 19 de abril morreram cerca de 800 pessoas - tiraram a vida a 1308 pessoas (no mesmo período de 2014 tinham morrido 42 imigrantes). Em suma, 1867 pessoas não sobreviveram à travessia do Mediterrâneo no primeiro semestre deste ano. 


O ACNUR prevê um verão escaldante nas chegadas de imigrantes, devendo registar-se novos recordes na segunda metade do ano, devido à melhoria das condições metereológicas.