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Pensionistas gregos sem cartão multibanco vão poder levantar algum dinheiro. Limite: €120

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Uma pensionista aguarda desesperada enquanto tenta levantar o possível no banco

YANNIS BEHRAKIS / Reuters

Grécia, fim de junho de 2015: levantamentos de dinheiro controlados e com regras diferentes para trabalhadores e pensionistas, transportes temporariamente gratuitos num lado porque são geridos pelo Estado e pagos noutro porque estão nas mãos de privados, pedidos do Governo para que a água não seja cortada esta semana a quem não consegue pagar as contas, lamentos sobre o atraso no fornecimento de medicamentos, exclamações de desesperto e relatos de pânico. Eis a vida possível - impossível? - em dias de desentendimento europeu

Cátia Bruno

Cátia Bruno

Jornalista

As Finanças gregas avançaram esta terça-feira novas informações relativas ao pagamento de pensões à população. Segundo o ministério tutelado por Yanis Varoufakis, cerca de mil agências bancárias abrirão as portas esta quarta-feira e assim permanecerão até ao fim de semana, para que os pensionistas que não possuem cartão multibanco possam levantar parte do dinheiro das suas reformas. 

No entanto, segundo revela a Associated Press, estes pensionistas poderão levantar apenas um máximo de 120 euros para o resto da semana - não sendo claro porque são estas regras diferentes dos 60 euros diários estabelecidos para os que têm cartão magnético.

Segundo a AP, as televisões gregas têm recebido telefonemas de depositantes irritados com o facto da maior parte das caixas multibanco já não terem notas de 20 euros. 

O pagamento das pensões é especialmente relevante na Grécia, onde a crise económica deixou um quarto da população desempregada e as pensões de muitos idosos são por vezes o único rendimento de famílias inteiras. Esta terça-feira, o Eurostat publicou dados relativamente aos valores do desemprego na Grécia: em março, 25,6% dos gregos encontravam-se sem emprego e 49,7% dos jovens entre os 15 e os 24 anos encontravam-se desempregados.

À porta do Banco Nacional grego, na ilha de Creta, um grupo de reformados discute com o funcionário. Exigem o pagamento das pensões. Este é um cenário que se repete em vários dependências bancárias por todo o país
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À porta do Banco Nacional grego, na ilha de Creta, um grupo de reformados discute com o funcionário. Exigem o pagamento das pensões. Este é um cenário que se repete em vários dependências bancárias por todo o país

Stefanos Rapanis/ Reuters

Três notas de 20. 60 euros é o valor máximo diário que é possível levantar
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Três notas de 20. 60 euros é o valor máximo diário que é possível levantar

SAKIS MITROLIDIS/AFP/Getty Images

Filas e mais filas. A imagem repete-se em todo o país
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Filas e mais filas. A imagem repete-se em todo o país

ARIS MESSINIS/AFP/Getty Images

São sobretudo os mais velhos que se mostram mais desesperados. Mesmo com as explicações dos funcionários dos bancos, nada parece acalmar os pensionistas
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São sobretudo os mais velhos que se mostram mais desesperados. Mesmo com as explicações dos funcionários dos bancos, nada parece acalmar os pensionistas

Alexandros Avramidis/ Reuters

Os pensionistas esperam (e desesperam) à porta dos bancos
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Os pensionistas esperam (e desesperam) à porta dos bancos

Yannis Behrakis/ Reuters

No meio da confusão, há quem tente explicar o que se passa. Este funcionário do Banco Nacional deu o peito às balas e veio até à rua falar com a população
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No meio da confusão, há quem tente explicar o que se passa. Este funcionário do Banco Nacional deu o peito às balas e veio até à rua falar com a população

Alexandros Avramidis/ Reuters

A população tenta levantar o dinheiro que consegue durante o dia...
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A população tenta levantar o dinheiro que consegue durante o dia...

SAKIS MITROLIDIS/AFP/Getty Images

...e durante a noite
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...e durante a noite

NGELOS TZORTZINIS/AFP/Getty Images

Um de cada vez, vão inserindo o cartão, marcam o código e depois levantam no máximo 60 euros
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Um de cada vez, vão inserindo o cartão, marcam o código e depois levantam no máximo 60 euros

SIMELA PANTZARTZI/ EPA

"Sem combustível" lê-se no cartaz afixado
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"Sem combustível" lê-se no cartaz afixado

Milos Bicanski/Getty Images

O mesmo acontece num posto de abastecimento em Salónica
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O mesmo acontece num posto de abastecimento em Salónica

SAKIS MITROLIDIS/AFP/Getty Images

Também nos mercados e superfícies comercias reflete-se o encerramento dos bancos. Se nos últimos dias as pessoas corriam aos supermercados para açambarcar bens essenciais, agora, com os bancos fechados, são poucos os que andam às compras
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Também nos mercados e superfícies comercias reflete-se o encerramento dos bancos. Se nos últimos dias as pessoas corriam aos supermercados para açambarcar bens essenciais, agora, com os bancos fechados, são poucos os que andam às compras

LOUISA GOULIAMAKI/AFP/Getty Images

Em primeiro plano as notícias, em segundo, a dura realidade da população grega
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Em primeiro plano as notícias, em segundo, a dura realidade da população grega

LOUISA GOULIAMAKI/AFP/Getty Images

Um segurança transporta até ao banco uma mala com dinheiro
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Um segurança transporta até ao banco uma mala com dinheiro

REUTERS/Marko Djurica

Para evitar uma corrida aos combustíveis, o Governo grego decidiu esta segunda-feira tornar os transportes públicos gratuitos ao longo desta semana, enquanto está em vigor o controlo de capitais. No entanto, nem todos poderão usufruir dessa medida. A edição em inglês do jornal "Proto Thema" alerta para o facto de esta medida apenas poder ser aplicada em cidades cujos transportes estão sob a alçada do Estado, como Atenas: "Não se aplica à cidade de Tessalónica e outras, onde os autocarros são geridos por empresas privadas", escreve o jornal grego. 

O Governo tem avançado com outras medidas para lidar com as consequências dos limites aos levantamentos. Segundo os media gregos, não serão aplicadas multas por atrasos no pagamento de impostos e o fornecimento de água não deverá ser cortado àqueles que não pagarem as contas esta semana.

O jornal grego "Kathimerini" avançava também esta segunda-feira que, aparentemente, houve registo de problemas com o fornecimento de medicamentos, já que alguns armazéns teriam exigido receber em dinheiro vivo; no entanto, tanto o sindicato dos farmacêuticos como as autoridades estatais já negaram haver problemas nesse fornecimento, pelo menos por agora. 

Os relatos de prateleiras de supermercados vazias e corridas às gasolineiras sucedem-se esporadicamente, mas não parecem ser para já o retrato completo do país. No entanto, os gregos vão-se prevenindo como podem. O autor do blogue "Keep Talking Greece" relatava esta segunda-feira que duas amigas enviaram os filhos menores para as aldeias dos avós: "Lá é mais seguro para eles, mais seguro do que em Atenas, e eles não precisam de tanto dinheiro para estar lá", declarou uma delas, que preferiu não se identificar. 

Ao mesmo tempo, as manifestações vão-se sucedendo. Na noite desta segunda-feira, uma multidão de milhares reuniu-se em frente ao Parlamento grego, em Atenas, apelando ao voto no 'não'. "Pode haver trabalho duro depois de domingo, mas a liberdade exige trabalho duro", declarava no local uma manifestante, citada pelo jornal britânico "The Guardian".

Esta terça-feira há nova manifestação marcada para o final do dia. Mas desta vez os gregos que sairão à rua pretendem votar no 'sim'.