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Nem “não” nem “sim”: última proposta de Bruxelas ainda sem resposta da Grécia

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Grafiti em Atenas

ORESTIS PANAGIOTOU / EPA

Entre as medidas e condicionantes previstas na mais recente proposta de Bruxelas, é exigido que o governo grego faça campanha pelo “sim” no referendo deste domingo

A proposta para um acordo de "última hora" ainda está em cima da mesa. Segundo a Comissão Europeia, um entendimento implica que Alexis Tsipras aceite a proposta divulgada por Bruxelas no domingo e que contém as cedências que os credores oficiais estavam dispostos a fazer na sexta-feira à noite, como a manutenção do IVA de 13% para os hotéis (antes exigiam uma subida para para 23%). 

O governo grego teria de fazer campanha pelo "sim" e os credores estariam dispostos a abordar a questão da dívida.

As condições foram comunicadas segunda-feira por Jean-Claude Juncker a Alexis Tsipras na sequência de um telefonema do primeiro-ministro grego ao presidente da Comissão Europeia. Fontes do governo helénico garantiram que a proposta apresentada é benéfica para ambas as partes, devendo ser também transmitida a Merkel e Hollande nas próximas horas. 

Antes de propor um acordo de "última hora", Juncker falou com o presidente do Eurogrupo, uma vez que a aprovação do acordo terá sempre que passar pelos ministros das Finanças da zona euro. 

Segundo o ministro do Estado da Grécia, Alekos Flambouraris, o país só aceitará um acordo que assegure a não redução dos salários e das pensões, a negociação do salário mínimo, um pacote adicional de ajuda e a reestruturação da dívida. "Só desta forma é que o povo grego pode respirar, a economia pode ser relançada e a reconstrução produtiva também. Só assim é que a nossa dignidade pode ser restaurada", afirmou Alekos Flambouraris, citado pelo "ProtothemaNews".

Entretanto, Euclid Tsakalotos -  o chefe negociações com os credores - afirmou que se a Grécia alcançar um acordo irrecusável será reconsiderada a votação.

A pressão no sentido de a Grécia retomar a discussão com as instituições surge dentro do próprio Syriza, com alguns dos seus membros a questionarem o referendo do próximo domingo, adianta o site do "Enikos". "Se nós podemos resolver este assunto, então deve ser reaberta a discussão. Este acordo, naturalmente, tem de criar a impressão de que tirará o país da crise. Deverá ser essa a solução preferida", indicou Dimitris Mardas, vice-primeiro ministro grego das Finanças.

Também o eurodeputado Stelios Kouloglou defendeu que a Grécia deveria aceitar a proposta de Jean-Claude Juncker. "Nas atuais circunstâncias, o Executivo não é chamado a alcançar uma vitória retumbante, mas o melhor compromisso com a possibilidade de menores prejuízos", sustentou.

Yanis Varoufakis confirmou, por sua vez, que o país não vai pagar esta terça-feira os cerca de 1,6 mil milhões de euros que deve ao Fundo Monetário Internacional (FMI).