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É oficial. A Grécia está em incumprimento

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LOUISA GOULIAMAKI / Getty

O FMI confirmou esta terça-feira que Atenas não liquidou a tranche de 1600 milhões de euros que deveria ter pago até ao último dia do mês de junho. A Grécia acaba de entrar para um clube restrito onde estão a Somália, o Sudão e o Zimbabué

A Grécia acaba de se tornar a primeira economia desenvolvida e primeiro estado-membro da União Europeia a não ser capaz de honrar os compromissos assumidos com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Às 18 horas em Washington (23 horas em Lisboa) terminou o prazo para reembolsar os 1600 milhões de euros que o Governo de Atenas deveria ter pago esta terça-feira (último dia de junho).

Numa jogada de última hora, em cima do prazo acordado com o FMI, Atenas tentou escapar ao incumprimento ao solicitar o adiamento por cinco meses (até novembro), da liquidação dos três pagamentos previstos para junho, os tais 1600 milhões de euros.

"Entregámos um pedido para que o FMI tome a iniciativa de adiar o pagamento para o mês de novembro", anunciou o vice-primeiro-ministro Yannis Dragasakis na televisão pública grega ERT. Um pedido entretanto confirmado pelo porta-voz do FMI, Gerry Rice.

No comunicado do FMI, informa-se ainda que a Grécia só poderá receber novos empréstimos, depois de pagar o que deve.

Ao formalizar este pedido, a Grécia utilizou uma disposição prevista na carta do FMI que permite "por solicitação de um Estado membro" e sem votação "adiar" um reembolso com um limite de 3 a 5 anos, que corresponde à duração dos seus empréstimos. Na história do FMI, esta permissa só foi usada por duas vezes, ambas em 1992, pela Nicarágua e pela Guiana (ex-Guiana Britânica).

A ministra-adjunta das Finanças da Grécia Nadia Valavani, tinha dito esta manhã à televisão pública que ainda seria possível honrar este compromisso. Como? Conseguindo os 1800 milhões de euros dos rendimentos dos títulos de dívida grega de 2014 que estão nas mãos do Banco Central Europeu (BCE).

Em 31 de maio deste ano, apenas três países tinham pagamentos em atraso ao FMI. A Somália (236 milhões de dólares), o Sudão (976 milhões) e o Zimbabué (80 milhões).