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Said Rezgui, um insuspeito estudante de mestrado que matou 38 pessoas

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Said Rezgui numa foto divulgada pelas redes sociais

EPA

Era um estudante de mestrado de 23 anos com um part-time num café. Gostava de hip hop e de futebol. Ninguém suspeitava de Said Rezgui até ele ter morto 38 pessoas com uma Kalachnikov numa praia tunisina na sexta-feira

Os investigadores tunisinos acreditam que Said Rezgui poderá ter-se radicalizado nos últimos seis meses e o facto de a sua ligação ao extremismo islâmico ser recente deverá ter contribuído para que não figurasse em qualquer lista de suspeitos. Na passada sexta-feira este homem matou, com uma arma automática Kalachnikov, 38 pessoas, entre as quais uma turista portuguesa. Outras 39 ficaram feridas na sequência deste atentado, cometido numa praia de Port El Kantaoui, perto de Sousse. O assassino foi abatido pela polícia.

A ação foi levada a cabo em nome do autodenominado Estado Islâmico (Daesh), que atribuiu a Rezgui o nome de guerra “Abu Yahya al-Qayrawani” (de Kairouan) em referência à cidade onde se encontrava a tirar o mestrado. A Grande Mesquita da cidade santa de Kairouan tornou-se conhecida, após a revolução de 2011. por ser frequentada por grupo islâmicos extremistas como o Ansar al-Sharia, mas Rezgui terá estabelecido contactos com radicais no estrangeiro através da Internet, referem os investigadores.

“Quem poderia imaginar que iria cometer tal ato de horror?”, questionou o seu tio, Ali Rezgui, em declarações à agência Reuters. “Talvez tenha mudado no local onde estudou, talvez tenha sido algo na Internet. Mas nós simplesmente não temos quaisquer respostas”, acrescentou.

Said Rezgui, de 23 anos, era oriundo de uma família de classe média de Gaafour, pequena cidade cerca de 80 quilómetros a sudoeste da capital, Tunis. Visitava frequentemente a sua terra natal, onde trabalhava em part-time num café. Os seus vizinhos de Gaafour dizem que era um jovem conversador, que rezava regularmente, mas que não gostava de falar sobre religião.

Investigadores procuram cúmplices
Rezgui gostava de rap, break dance e futebol. Assuntos sobre os quais conversara com cinco amigos, na quarta-feira, quando se encontrou com eles num café. Os amigos dizem que não manifestou quaisquer sinais de extremismo e mostraram-se chocados e surpreendidos com o sucedido. Na quinta-feira, um dia antes de levar a cabo o atentado, estivera com o tio.  

Apesar de ter sido o único atirador que causou a mortandade na praia tunisina, os investigadores creem que terá recebido auxílio indireto e estão à procura de cúmplices. No último mês, Rezgui partilhou uma casa com seis jovens, perto da Mesquita das Sete Virgens de Kairouan. O grupo procurou evitar o contacto com a população local, que diz que os jovens receberam visitas de um grupo de salafitas, antes de terem subitamente abandonado a casa.

O novo atentado surgiu como um novo golpe contra turistas estrangeiros, procurando atingir uma área de grande importância na economia do país. Além da turista portuguesa de 76 anos, entre os 38 mortos encontram-se ainda cidadãos britânicos, alemães, irlandeses e belgas. O regime estima que mais de 3000 tunisinos se encontrem a combater pelo Daesh e por outros grupos na Síria, Iraque e, cada vez mais, também na vizinha Líbia. 

  • Um dia de terror: 262 mortos, 385 feridos

    A manhã desta sexta-feira foi abalada por ataques terroristas na zona de Lyon (França), numa estância turística de Sousse (Tunísia) e numa mesquista da capital do Kuwait, tendo dois deles sido reivindicados pelo autodenominado Estado Islâmico (Daesh). Síria e Somália também foram palco de atentados realizados pelo Daesh e Al-Shabab, respetivamente. O que está por saber: coincidência ou planeamento?