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Merkel continua disponível para a Grécia: “Se o euro fracassa, a Europa também fracassará”

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Mural numa das ruas de Atenas

SIMELA PANTZARTZI / EPA

Toda a gente fala - Alemanha, Espanha, França, etc - e toda a gente diz acreditar que ainda é possível resolver o susto. Mas trata-se de um otimismo receoso

"Se o euro fracassa, a Europa também fracassará", afirmou Angela Merkel esta segunda-feira de manhã no parlamento, em Berlim, durante a cerimónia do 70º aniversário do CDU. A chanceler alemã defendeu que quando se perde a capacidade de encontrar compromissos na Europa, todos os membros sofrem as consequências disso: "É por isso que temos que lutar pelos nossos princípios".

"A solidariedade e a responsabilidade devem coexistir, no fundo são os dois lados da mesma moeda dos países do euro. Neste conflito temos de encontrar compromissos", acrescentou.

Merkel diz continuar aberta ao diálogo com o primeiro-ministro helénico com vista a um acordo, à semelhança do que já tinha sido manifestado pelo ministro germânico das Finanças, Wolfgang Schäuble, em relação ao seu homólogo grego, Yanis Varoufakis. "Claro que mantém disponibilidade em conversar com o primeiro-ministro Alexis Tsipras", afirmou o porta-voz de Merkel à Reuters.

Também o ministro das Finanças espanhol disse estar confiante de que será possível alcançar um acordo entre o Executivo helénico e as instituições credoras. "Ainda há tempo. O segundo programa de resgate da Grécia termina na quinta-feira à noite, o que significa que ainda temos 48 horas - as negociações ainda podem prosseguir. Não excluo a hipótese de se poder chegar a um consenso até ao limite, que é a meia-noite de terça-feira", disse Luis de Guindos à rádio RNE.

O governante espanhol assegurou também que o país se encontra numa situação estável para evitar uma situação de contágio grego. "Estamos bem preparados. A situação dos nossos bancos e o défice hoje em dia não pode ser comparada com o cenário de há três anos", acrescentou.

De França e do Reino Unido surgem, porém, alertas quanto ao referendo. François Hollande disse reconhecer que a consulta popular sobre a proposta dos credores é um direito dos gregos, mas avisa que as consequências da saída da zona da moeda única serãos sentidas em primeiro lugar pelo país. "Numa democracia, o povo tem o direito de decidir o que quer para o seu futuro. O que está em causa é se os gregos querem ficar no euro ou se correm o risco de sair", sublinha Hollande.

Pode ser tarde demais
O presidente gaulês lembrou que neste momento ainda é possível um acordo, estando a decisão nas mãos do Executivo grego. "Hoje ainda é possível um acordo. Amanhã tudo dependerá da resposta que os gregos darão no referendo."   

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, considerou mesmo que será muito difícil a Grécia manter-se no euro se os gregos recusarem a proposta dos credores na consulta popular do próximo domingo.  

"Se votarem 'Não' considero que será muito difícil [a Grécia] continuar no euro, porque isso será um problema significante. Mas cabe ao povo grego decidir", afirmou Cameron à rádio BBC, citado pela Reuters. 

Esta segunda-feira, a Grécia vive um dia agitado com filas de pensionistas à porta dos bancos - que estão encerrados até à véspera do referendo, distribuindo apenas penssões - e corridas a supermercados e bombas de gasolina. Para evitar a fuga de depósitos, os gregos estão impedidos de levantar mais de 60 euros nas caixas de multibanco. 

Alexis Tsipras enviou no domingo uma carta aos líderes dos países da zona euro a pedir o prolongamento do resgate por mais um mês, quando faltam dois dias para o fim do programa de ajuda e para o país ter que pagar as últimas prestações do empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI).