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Mercados no vermelho devido à crise grega

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As caixas Multibanco ma Grécia só deverão estar em condições de disponibilizar dinheiro outra vez à hora de almoço desta segunda-feira

ORESTIS PANAGIOTOU / EPA

Com apertados controlos de capitais em vigor na Grécia e os bancos fechados durante uma semana, os mercados europeus e asiáticos abriram em forte queda, com Lisboa a perder 5,8% e Berlim e Paris, 4,4%. Começa uma semana de incerteza que durará pelo menos até ao referendo de 5 de julho

A semana arranca em todo o mundo com grandes preocupações relativas à Grécia. Apesar das garantias do ministro das Finanças helénico de que o seu país não sairá do euro ainda que o acordo com os credores seja rejeitado no referendo do próximo domingo, os mercados globais parecem acreditar mais do que nunca na hipótese “Grexit”. No terreno, entretanto, entram em vigor severos controlos de capitais. As multas por violação das regras podem ir até 10% do valor da transação em causa.

Os mercados europeus estão a abrir em baixa, com principais índices alemão e francês (DAX e CAC, respetivamente) a cair 4,4%. O inglês FTSE1000 cai 2,2% e, em Portugal, a quebra nas transações é de 5,8%. Desde o anúncio do referendo, o euro já caiu 1% face ao dólar. A tendência no Velho Continente espelha o que sucedera, horas antes, à abertura dos mercados asiáticos: de Hong Kong a Tóquio (o Nikkei caiu quase 3%) e em todo o Sueste Asiático, as bolsas abriram no vermelho.

Na Grécia, a bolsa de valores está fechada, pelo menos esta segunda-feira. O mesmo acontece a todos os bancos do país, até ao dia após a consulta popular, devendo reabrir na terça-feira, 7 de julho. A regra inclui as sucursais de bancos estrangeiros no país. Durante o mesmo período, não é possível levantar mais de 60 euros nas caixas Multibanco com cartões emitidos na Grécia. Na noite deste domingo já havia caixas sem dinheiro, mas o Governo garante que deverão estar a “funcionar normalmente” à hora de almoço desta segunda-feira. 

Quanto aos titulares de cartões estrangeiros (usados sobretudo pelos turistas), embora não estejam sujeitos a limites de levantamento, na prática ficarão limitados ao dinheiro que houver dispomível nas caixas Multibanco.

Também é proibido transferir dinheiro da Grécia para o estrangeiro, salvo autorização de uma comissão do Ministério das Finanças. Este avaliará caso a caso, permitindo transações “necessárias para proteger interesses públicos ou sociais”. Os pagamentos com cartão e as transações via Internet não são afetados para ninguém, sendo proibido cobrar sobretaxas por estas operações, que deverão ter procura acrescida.

Paul Krugman defende o 'não'
O programa de resgate à Grécia atualmente em vigor termina à meia-noite de terça para quarta-feira, sem que tenha havido acordo entre Atenas e os parceiros europeus. Sem uma extensão do prazo, já rejeitada pelo Eurogrupo, é mais do que provável que a Grécia falhe o reembolso de 1600 milhões de euros devidos ao Fundo Monetário Internacional.

O referendo de domingo será sobre as propostas feitas ao Governo helénico pelos parceiros europeus, no sentido de agravar as medidas de austeridade. O primeiro-ministro Alexis Tsipras defenderá o 'não', no que obteve o apoio de peso do economista americano Paul Krugman. O também prémio Nobel da Economia defende que aceitar o acordo seria prolongar as políticas falhadas dos últimos cinco anos (com a agravante de os gregos terem eleito Tsipras para fazer o oposto) e acusa as instituições europeias de terem feito um gesto "à Corleone ao contrário", apresentando a Atenas uma proposta que não poderia ser aceite, com o fito de fazer cais o Governo.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, deverá dar uma conferência de imprensa pelas11h45 (hora portuguesa) desta segunda-feira. A chanceler alemã, Angela Merkel, e o Presidente francês, François Hollande, têm reuniões agendadas com membros dos respetivos governos e grupos parlamentares. Na Grécia, o ministro dos Negócios Estrangeiros encontrar-se-á com representantes de todos os Estados-membros da União Europeia.


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