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Juncker sente-se traído: “Isto não é um pacote de austeridade estúpida”

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YVES HERMAN / Reuters

O Expresso seguiu em direto a intervenção do presidente da Comissão Europeia, que diz sentir-se traído pelo Governo grego e pede ao povo daquele país que vote sim no referendo de domingo

11h51: Juncker começa por frisar que na União “nenhuma democracia vale mais do que outra” e exorta à solidariedade entre todos os países da União Europeia e da Zona Euro.

11h53: “Estou triste com o espetáculo que a Europa deu no sábado passado. A boa vontade evaporou-se. Os egoísmos e populismos venceram”, diz Juncker, que confessa sentir-se “traído”.

11h55: “Jogar com uma democracia contra 18 outras não é conveniente para a grande nação grega”. 

11h56: Juncker fala de Portugal, Espanha, Letónia, Chipre como outros países “vulneráveis” no seio da União. E elogia as decisões tomadas pelos líderes destes Estados-membros.

11h58: “Para mim, a saída da Grécia nunca foi uma hipótese”, diz Juncker. Garante, porém, que já fez tudo o que estava ao seu alcance para conseguir um consenso com os países “que emprestam milhares de milhões do dinheiro dos seus contribuintes à Grécia”. E assegura que do lado da Comissão sempre houve lealdade e nunca um “ultimato” ou “abordagem de pegar ou largar”.

12h01: “Realizámos todos os debates, não os deixámos para burocratas anónimos em salas obscuras. Foi altamente político”, diz o presidente da Comissão, segundo o qual nunca faltou paciência nem flexibilidade à sua equipa.

12h02: “Fomos muito longe na tentativa de obter medidas socialmente justas que promovam o crescimento na Grécia”. Juncker considera o último pacote apresentado pelos parceiros europeus como “difícil, mas justo”. E frisa que não há cortes de salários nem de pensões, apenas o esforço de criar uma “administração pública mais transparente”.

12h04: “Não se trata de um pacote de austeridade estúpida!”, diz. Defende que a Grécia passa a ter mais tempo para resolver os seus problemas e que muitas das medidas já tinham o acordo do Governo grego e até iam ao encontro do programa eleitoral de Tsipras.

12h07: “O Governo grego até pode substituir certas medidas por outras, desde que as contas batam certo”. Juncker defende cortes que não afetem a vida quotidiana dos cidadãos.

12h09: “Quem poderá estar contra uma autoridade fiscal independente?”, admira-se Juncker.

12h12: “Movemos céu e terra”, garante o líder da Comissão, afirmando que está a descrever as propostas já feitas (e que, defende, deveriam ter sido aceites por Atenas) e que não é momento para fazer novas propostas.

12h14: Juncker interroga-se sobre “o que saberá o povo grego sobre as propostas que estão em cima da mesa”. “Numa democracia toda a gente tem o direito a saber a verdade”, defende, voltando a dizer que a porta está aberta do lado das instituições europeias, apesar de o caminho ser cada vez mais difícil.

12h17: “Não se trata de apontar o dedo a ninguém”, diz, mas é urgente “tomar medidas adequadas”. Elogia, em seguida, o esforço de todos os parceiros europeus, reconhecendo, muito embora, os “problemas que muitos deles enfrentam a nível interno”. Portugal é claramente um deles.

12h19: Para Juncker, os políticos gregos devem ser muito claros em relação ao que querem fazer. O presidente da Comissão defende que o povo grego deve votar sim às propostas europeias. Admite que a pergunta do referendo ainda vá ser negociada e possa mudar até domingo.

12h21: Um voto sim seria um sinal para toda a Europa, argumenta Juncker. Isso quererá dizer “que a Grécia quer permanecer na família europeia”. Quererá isto dizer que afinal a Grexit é uma hipótese? O presidente repete: Votem sim, independentemente da pergunta que for feita.

12h23: Juncker diz ter ficado desapontado por Tsipras não o ter avisado de que ia convocar um referendo. Mas garante não censurar o primeiro-ministro grego pela iniciativa da consulta popular.

12h25: Já a responder a questões dos jornalistas, Juncker diz que a sua mensagem se destina “aos gregos mas também a outros que estão em situações parecidas” e que seria “um desastre” os helénicos votarem não. Não receia que o seu apelo ao sim faça ainda mais gregos votarem não.

12h26: Juncker frisa que não é “fã” de sondagens, mas celebra que todos os estudos de opinião indiquem que “os gregos, nobres e trabalhadores, pensam que o lugar da Grécia é na Europa e na Zona Euro”.

12h27: Um voto no não significa que “a Grécia diria não à Europa”, diz Juncker em resposta a uma jornalista espanhola.

12h29: A conferência de imprensa terminou. Juncker, que adotou um tom muito emotivo, tem atrás de si bandeiras da União Europeia e da Grécia