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“Isto não é Comissão Europeia vs Tsipras - é euro vs dracma”

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Mural em Atenas, onde o euro sangra

YANNIS BEHRAKIS / Reuters

Primeiro-ministro italiano diz que há bluff de Tsipras

O referendo do próximo domingo na Grécia deverá ser visto como um “derby entre o euro e a dracma”, escreveu esta segunda-feira de tarde no Twitter o primeiro-ministro italiano.

Para Matteo Renzi, e ao contrário do que outros pensam, não se trata de um confronto entre a Comissão Europeia e o chefe do Governo de Atenas, Alexis Tsipras.

Se o “sim” vencer, então o acordo com os credores seguirá adiante e o país terá acesso a mais uma extensão do programa de resgate. No entanto, o Governo de Tsipras já veio defender que só uma vitória do “não” poderia reforçar a sua capacidade negocial junto dos credores.

Ora, o post de Matteo Renzi no Twitter, deixa claro que, pelo menos para o primeiro-ministro italiano, Alexis Tsipras está a fazer bluff.

Uma imagem que ficou na história dos últimos meses de negociação, em fevereiro

Uma imagem que ficou na história dos últimos meses de negociação, em fevereiro

FOTO EPA

A 30 de junho, ou seja, esta terça-feira, termina a extensão do atual programa de resgate da Grécia, depois de falhanço no Eurogrupo de sábado. A Grécia já anunciou que não vai pagar ao FMI.

Com o fim do programa e sem acordo quanto às reformas a executar pela Grécia, fontes comunitárias disseram que terminam também "todas as facilidades associadas", ou seja, a possibilidade de Atenas aceder à última tranche do programa de resgate, de 7,2 mil milhões de euros, aos 10 mil milhões de euros do fundo de capitalização da banca e aos dividendos que o BCE fez com a dívida pública grega.

A hipótese para receber ajuda financeira dos credores oficiais, disseram as mesmas fontes, é o Governo grego pedir um novo programa de assistência financeira, a que se associam - como nos anteriores - condicionalidades por parte dos credores para emprestar dinheiro.

No entanto, avisaram as mesmas fontes comunitárias, esse novo pacote de ajuda financeira seria baseado "em linhas gerais" na proposta atual dos credores.

As últimas exigências dos credores para libertarem dinheiro para Atenas incluem - entre outros pontos - mexidas no IVA em vários produtos e serviços, mexidas nas pensões e fim gradual das reformas antecipadas e aumento da idade da aposentação.

O tema das pensões foi o que mais tensão criou entre os credores e Atenas e hoje, em conferência de imprensa em Bruxelas, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, garantiu que os credores nunca pediram cortes nas pensões.

O problema neste caso está sobretudo no chamado 'Ekas', o suplemento de solidariedade para os pensionistas, que os credores não consideram uma pensão de reforma, porque não depende completamente dos descontos feitos, e que querem que seja eliminado, considerando-o "a maior distorção" do sistema de pensões grego.

Caso Atenas peça um novo pacote de ajuda financeira - o que deverá acontecer se o 'sim' vencer na consulta popular do próximo domingo -, é para já difícil avaliar quanto tempo demoraria até esse novo programa entrar em vigor, já que dependeria das negociações com os credores quanto às medidas a executar em troca do dinheiro a receber e também de alguns procedimentos, como a aprovação desse terceiro resgate em alguns parlamentos nacionais.

Nas negociações entre Atenas e os credores, outro dos pontos mais divergente teve que ver com a elevada dívida pública grega, que representa cerca de 180% do Produto Interno Bruto (PIB), quase o dobro da riqueza produzida pela Grécia, e para a qual o Governo, suportado sobretudo pelo partido de esquerda Syriza, tem reclamado algum tipo de reestruturação.

Fontes comunitárias disseram que os credores fizeram saber ao Executivo helénico, no decurso das negociações, que estariam disponíveis para discutir um alívio, mas só aquando da negociação de um novo resgate ao país.