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Boicote da oposição não impede realização de eleições no Burundi

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Elementos da comissão nacional de eleições durante os preparativos para o dia eleitoral, numa mesa de voto na localidade de Nyakabiga, peerto da capital do Burundi, Bujumbura

PAULO NUNES DOS SANTOS / Reuters

País vota esta segunda-feira para as eleições legislativas e municipais, depois de durante a madrugada vários grupos armados da oposição terem destruído diversas mesas de voto

Sons de disparos e pelo menos duas explosões foram ouvidos durante a noite, na capital do Burundi, Bujumbura. No dia em que se realizam as eleições legislativas e municipais, vários grupos armados destruíram assembleias de voto, com o objetivo de boicotarem um ato que não acreditam que possa ter garantias democráticas. O jornal privado Iwacu confirmou na sua edição digital que duas granadas explodiram no distrito de Mayuyu, 25 km a sudoeste da capital, que sofreu uma série de ataques ao longo da última semana.

Os ataques atrasaram o início de votação em muitas mesas de voto, disse o Presidente da comissão eleitoral, Cyriaque Bucumi, à agência AFP. “A votação ainda não teve início em muitos dos centros da capital, porque os funcionários eleitorais estão a tentar preparar os materiais, que chegaram tarde a quase todas as assembleias de voto por causa dos ataques da madrugada”.

Os grupos da oposição justificam este ataque, afirmando que as eleições não são livres nem justas e que a candidatura do Presidente Pierre Nkurunziza a um terceiro mandato viola a constituição. O chefe de Estado reagiu aos incidentes recusando-se a retirar a candidatura. E chegou a provocar os partidos da oposição, a quem convidou a boicotarem todas as mesas eleitorais. Recorde-se que em março houve uma tentativa falhada de golpe de Estado, em que os meios de comunicação social independentes foram destruídos, encontrando-se desde esse dia impedidos de funcionar.

A verdade é que muitas pessoas, inclusive as que o ajudaram a chegar ao poder, se sentem enganadas pelo Presidente do Burundi. É o caso de Aimable Niyonkuru, que apesar de em anos anteriores ter votado em Nkurunziza, afirma que não irá às urnas nestas eleições, por sentir que o Presidente não cumpriu as suas promessas nem melhorou a economia do país. E acrescenta: “Estou muito desapontado com o que todos os políticos têm feito, eles não são patrióticos”.

Apesar de na passada sexta-feira o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, ter aconselhado o Burundi a adiar as eleições, dado o clima de tensão politica e insegurança que se vive no país, as autoridades recusaram-se a fazê-lo. A terceira candidatura de Nkurinziza suscitou protestos violentos que se intensificaram no mês de abril . A contestação popular tem sido fortemente reprimida pela polícia, tendo havido já 70 mortos. Mais de 125 mil pessoas fugiram para os países vizinhos.