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BCE pode "terminar" assistência aos bancos gregos. Será mesmo assim?

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ARIS MESSINIS / AFP / Getty Images

Fonte dentro do Banco Central Europeu avançou à BBC que o organismo pretende terminar com a linha de emergência de liquidez aos bancos gregos. Se o fizer antes do dia 30, quando o programa de assistência termina, toma uma decisão política que pode influenciar o resultado do referendo 

Cátia Bruno

Cátia Bruno

Jornalista

Os governadores dos bancos centrais europeus reúnem-se este domingo de emergência para discutir a situação grega e o estado da linha de emergência de liquidez (conhecida pela sigla ELA) aos bancos gregos, na sequência da última reunião do Eurogrupo. 

Ainda não é conhecida uma decisão oficial do Banco Central Europeu (BCE) mas a BBC avança que o organismo deverá terminar o financiamento aos bancos helénicos, segundo avançou uma fonte à cadeia de televisão britânica. Nesse caso, a Grécia terá provavelmente de "anunciar um feriado bancário na segunda-feira, com possível introdução de controlo de capitais", avançou a mesma fonte. 

No entanto, a informação foi recebida com algum ceticismo entre alguns jornalistas e comunidade financeira. Isto porque tecnicamente a Grécia continua debaixo da extensão do programa de resgate até terça-feira dia 30. Tomar a decisão de cortar a liquidez aos bancos gregos imediatamente, poderia ser entendido como uma decisão política, como explica o britânico "The Guardian". 

Pouco depois, a Reuters avançou com a informação de que o BCE optará antes por manter a ELA, mas exigir mais garantias aos bancos gregos. Será por isso necessário esperar para ver qual a decisão que sai do conselho.

Soluções alternativas
Para alguns especialistas, o mais provável é que o BCE limite primeiro a sua provisão de liquidez, que tem sido continuamente aumentada nos últimos dias e que se encontra atualmente nos 89 mil milhões de euros. Isso mesmo sugere Peter Spiegel, correspondente em Bruxelas do "Financial Times".  

No entanto, e tendo em conta a rapidez com que os depósitos têm sido levantados na Grécia, isso poderá deixar à mesma os bancos gregos expostos.  

Qualquer decisão dos governadores do BCE terá de ser tomada por dois terços da assembleia, como explica Linda Yueh, professor da London Business School. O conselho é composto pelos 19 governadores de bancos centrais dos países da zona euro, incluindo o grego, mais seis membros do conselho executivo. 

Na manhã deste domingo, o primeiro-ministro francês Manuel Valls pronunciou-se sobre a possível decisão do BCE. "O BCE é independente, mas não duvido que irá assumir as suas responsabilidades", declarou em entrevista à rádio Europe 1. "Dizendo isto de outra forma, não acredito que irá cortar o apoio." 

O ministro das Finanças austríaco, Hans Joerg Schelling, também falou esta manhã, realçando que a situação em que a Europa entra agora é tudo menos clara, referindo-se a uma possível saída da Grécia da moeda única: "A Grécia teria de entregar um pedido para fazê-lo. Os outros países da União Europeia teriam de aprovar esse pedido. Só depois a Grécia poderia sair da zona euro", explicou. 

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