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Reunião do Eurogrupo. Grécia quer ficar no euro mas não "foi convidada" para os trabalhos da tarde

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JOHN THYS

Futuro da Grécia mais incerto. Grécia "não foi convidada" para a reunião da tarde, diz Varoufakis, lembrando que o Syriza teve 36% dos votos em janeiro.  E explica: o referendo é uma "decisão que precisa de 50% + 1%."

Cátia Bruno

Cátia Bruno

Jornalista

O presidente do Eurogrupo Jeroen Dijsselbloem declarou em conferência de imprensa que o Eurogrupo emitiu um comunicado que não conta com o apoio do ministro das Finanças da Grécia. Yanis Varoufakis também convocou uma conferência de imprensa e explicou o motivo do referendo: "O povo grego terá de ser o árbitro final para decidir se aceita ou não as propostas das instituições", declarou.

Varoufakis disse ainda que relembrou aos colegas do Eurogrupo que o Syriza tinha tido 36% dos votos nas eleições de janeiro.  Esta "decisão precisa de 50% + 1%."

Segundo Dijsselbloem, os representantes gregos rejeitaram as propostas que estavam em cima da mesa desde sexta-feira, apesar de terem a "máxima" flexibilidade possível. Neste contexto o programa de financiamento à Grécia pode "expirar na noite de terça-feira".

A reunião do Eurogrupo vai prosseguir e "discutir as consequências políticas" desta decisão. É preciso "preparar o que for necessário para preservar a estabilidade da zona euro". 

Questionado pelos jornalistas, Dijsselbloem diz que não quer "especular". No entanto, confirmou que a Grécia não vai assistir ao resto da reunião.

Para já ninguém sabe o que vai acontecer se os gregos derem o 'sim' às propostas dos credores no referendo anunciado por Tsipras. Dijsselbloem disse que esta situação foi abordada na reunião. Varoufakis garantiu que se isso acontecer o Governo liderado pelo Syriza irá aplicar o programa.

Para o presidente do Eurogrupo isso coloca um "grande" problema de credibilidade. "A questão é: em quem vamos confiar e trabalhar para aplicar o programa?"

"Não é claro como irá o Governo grego sobreviver sem financiamento", acrescenta Dijsselbloem.

"Danos" na credibilidade do Eurogrupo
Yanis Varoufakis também deu a sua própria conferência de imprensa pouco depois. Nela, explicou que o Governo grego sentia não poder aceitar as consequências das propostas dos credores, mas que não tinha mandato para as rejeitar, razão pela qual optou pela convocação do referendo. 

O ministro das Finanças grego declarou também que as negociações devem continuar e que a delegação grega trabalhará "noite e dia" nesse sentido, dizendo que é possível ainda alterar a pergunta do referendo, conforme o rumo das conversações - declarações que contrastam com o comunicado emitido pelo Eurogrupo (e não assinado pela Grécia), onde se lê que a Grécia terminou "unilateralmente" com as negociações do programa de assistência na sexta-feira.

Varoufakis terminou a sua declaração com uma forte crítica aos restantes ministros das Finanças da zona euro, por terem recusado dar uma extensão do programa de algumas semanas, para que os gregos se pudessem pronunciar. "Isto irá certamente danificar a credibilidade do Eurogrupo como união democrática de Estados-membros parceiros. Tenho muito receio de que esse dano seja permanente", declarou. 

No entanto, e já em resposta aos jornalistas, Varoufakis disse não estarem preparadas medidas para o país "sair do Euro", já que não é essa a pergunta do referendo. Fica por esclarecer como irá a Grécia adquirir liquidez para fazer face aos pagamentos previstos para os próximos meses.

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